quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Balada Sustentável

Em épocas de cultura eco, o CLub4Climate, em Londres, criou uma pista de dança com tecnologia que usa cristais de quartzo e cerâmicas para transformar o movimento dos freqüentadores em eletricidade. A pista gera 60% da energia necessária para movimentar a casa. Os 40% restantes são gerados por meio de turbinas eólicas. E quando há excesso de energia ela é utilizada em casas próximas ao clube.

Quem sabe a moda pega por aqui e acaba transformando os pisos dos tão freqüentados shoppings em pisos sustentáveis? E as passarelas de moda, então? Os São Paulo Fashion Week da vida? Também poderiam adotar a tecnologia.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A moda das leis secas

No Brasil é costume se falar que tal lei pegou ou não pegou. Pois a moda agora são as leis secas. A das bebidas alcoólicas já está em vigor, e parece que pegou. Nada contra. Estar na direção requer muita responsabilidade. Porém, a mais nova das secas é a tal lei seca do cigarro, como já vem sendo chamada pelos meios de comunicação. Ainda não foi aprovada, é um projeto de lei do governador de São Paulo.

A proposta proíbe o cigarro em todos os estabelecimentos, inclusive bares, restaurantes e casas noturnas. O projeto também prevê o fim dos fumódromos em áreas públicas ou particulares, como em empresas. Se for aprovada na Assembléia Legislativa, o estabelecimento que descumprir a lei poderá pagar multa de até R$ 3,2 milhões. Já o fumante, se insistir em permanecer no local com o cigarro aceso, poderá ser retirado do estabelecimento com auxílio da força policial.

Nessa onda da restrição, sempre é o cidadão, que trabalha muito e paga impostos pacas, quem tem de se privar de seus gostos e vícios. Não quero discutir se o cigarro, no caso, faz mais ou menos mal que tantas outras coisas, tanto do ponto de vista físico como do psicológico. Mas o que mais me deixa indignado é que o indivíduo está ficando cada vez mais encurralado.

Aqui no Brasil, os deveres são bem maiores que os direitos (e que direitos, se é preciso pagar por tudo para se ter acesso?). Não acredito que a restrição seja uma boa solução para resolver também os problemas com cigarro. Até porque, pelo que propõe o projeto, os magnatas poderão continuar desfrutando de seus belos charutos cubanos nos Clubes de Charuto, que ficaram fora da proposta. E a comparação usada, para dizer que a restrição funciona, é com países como Canadá, Inglaterra e Austrália, como disse para um jornal uma conselheira da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas. A única diferença entre esses países e o nosso é que, lá fora, os cidadãos têm qualidade de vida de verdade: educação, saúde, moradia e condições de trabalho bem melhores do que a que temos por aqui.

Com tantos malabarismos que o cidadão brasileiro tem que fazer para continuar sobrevivendo, agora terá de se privar também de seu trago. Até a polícia poderá ser utilizada para a fiscalização! O que só pode ser uma boa piada. Serão os caça-fumaça? Ora, não quero fazer apologia ao fumo, até porque acredito que fumantes e não fumantes têm direitos iguais. Mas talvez, se o projeto desse uma alternativa para os estabelecimentos criarem áreas isoladas e com sistema de exaustão adequado, onde se pudesse fumar, ele fosse mais democrático.

Também acredito que os políticos no poder poderiam criar algumas outras leis secas, que seriam certamente benéficas à população. A lei seca da corrupção, da falta de ética, da alta carga tributária... Essas sim fariam bem não só para o pulmão, mas para todo corpo e mente do cidadão, pois poderiam proporcionar mais qualidade de vida para todas as pessoas, fumantes ou não.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A era do acesso: compartilhando os objetos para um consumo mais consciente

Em tempos de hipermodernidade, como diz Gilles Lipovetsky em “Tempos Hipermodernos” (2004), compartilhar talvez seja uma dádiva. Os costumes da contemporaneidade acabam deixando os indivíduos cada vez mais egoístas, mais individuais, mais competitivos, porém não menos frágeis.

A sede de posse é grande. Quanto mais acúmulo de bens, mais bem visto é o homem, que trabalha, estuda, corre pra cá e pra lá “precisando” ganhar cada vez mais para suprir suas necessidades, sejam elas físicas e ou psicológicas. É a casa de campo, de praia, moto, lancha, carros ... É a comodidade, o lazer (com ou sem ócio, esse último ainda mais provável), o desfrutar das delícias desse mundo de carne e osso. Ótimo, quase perfeito, se desse tempo para usufruir de tudo isso. Bom, pelo menos a sensação de ter (do isso tudo é meu) ainda pode ser uma grande satisfação. Mas e o custo-benefício, se deixarmos de lado os aspectos psicológicos do ser? Com as aquisições, as contas vão aumentando e, com elas, o seu compromisso de trabalhar mais para poder quitá-las. (Adeus tão sonhado ócio). E o custo de todos esses bens parados, sem uso? Será inteligente do ponto de vista financeiro, ambiental e social?

Muito se diz do tal desapego que devemos ter dos bens materiais. Coisa difícil, né (pelo menos pra mim). A sociedade contemporânea até quem tem mostrado seu lado inteligente e de certa forma socializador, mesmo que seja pensando mais em economia financeira do que no compartilhar de fato. Em seu livro “A Era do Acesso” (2000), Jeremy Rifkin, fala de uma sociedade que não precisa ser dona de nada, mas que pode ter acesso a tudo. “O acesso just-in-time de bens e serviços é a tendência do futuro. Cada vez mais pagaremos para utilizar coisas em vez de sermos os proprietários”, afirma o autor. Nesta lógica, não deixaríamos de utilizar a casa de campo, a de praia... Digamos que poderíamos chamar isso de um socialismo capitalista, no qual muitos objetos podem ter mais de um dono, ao mesmo tempo em que ninguém é dono de nada. Paga-se pelo uso. Assim, divide-se bônus e ônus.

Já tem muita gente praticando o compartilhamento dos objetos. Nos países desenvolvidos já acontece em maior escala. No Brasil também existe e a tendência é crescer. São escritórios com estrutura enxuta em que diversas pessoas jurídicas utilizam a mesma sala de reunião, equipamentos, secretária etc. Na Califórnia - EUA - há carros compartilhados. O indivíduo paga uma taxa por mês. Os carros ficam disponibilizados em vários lugares. A pessoa pode pegar em um ponto e deixá-lo em outro local.

E a era do acesso também está nos céus. A novidade, pelo menos pra mim, foi a de ver no jornal Diário do Grande ABC, de 18 de agosto, matéria falando sobre helicópteros compartilhados. É claro que mesmo dividindo em grupo (cerca de 10 pessoas) custa muito para a maioria dos mortais, mas é a idéia em si que é boa e precisa ser ampliada e divulgada. Além de ter um preço altíssimo, os mais baratos por volta de R$ 1 milhão, ter uma máquina dessas parada, mesmo pra quem pode, significa prejuízo. Então, porque não compartilhar?

Segundo a reportagem, o Brasil tem 200 pessoas que utilizam esse sistema, que já existe há sete anos. Paga-se 10% do valor da aeronave como cota e R$ 11 mil mensais para manutenção do aparelho e custos de vôo, como combustível, piloto, entre outros. Espero que essa filosofia, a da era do acesso, continue a se multiplicar. É bom para os indivíduos, é bom para o planeta também, mas claro, ainda longe dos ideais de ambientalistas e socialistas. Mas no tempo em que vivemos, essas notícias são animadoras, pois mostram que há alternativas à forma atual de nos relacionarmos com os objetos, criando, pelo menos, uma cultura de consumo mais consciente.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Multitarefas: a vida through the screen

Matéria da Veja de 6 de agosto trata das chamadas crianças multitarefas. Falar no celular, escutar música, bater papo no MSN, jogar videogame e ainda dar uma espiada na programação da TV são algumas das coisas que essa nova geração faz de uma só vez.

Bom ou ruim, não sei dizer. Mas uma coisa é certa: a tecnologia não é a grande causa desse comportamento. É fato que ela está inserida no universo do público infantil. Para as crianças da sociedade moderna, o mundo é through the screen. A vida dos multitarefa é intermediada por telas. Até livro já se lê em posição vertical, por causa do hábito de olhar para o monitor do computador.

Mas e daí? O que isso significa, além da adpatação aos meios, coisa que não é exclusividade dessa geração? A sociedade muda constantemente, e ainda bem que isso acontece. São avanços, retrocessos, mas que significam novas experiências. Os especialistas ouvidos por Veja disseram que será necessário uma ou duas gerações para saber se o impacto desse fenômeno é positivo ou não. Um deles, professor de conceituado colégio de São Paulo, já percebeu uma coisa: “As crianças processam rapidamente um número maior de informações, mas num nível superficial. Ir fundo no assunto é difícil pra elas”.

Hoje, o que vale mais é a quantidade. Vivemos no que a revista Wired chama de snack culture (cultura aos pedaços). Somos ansiosos pelo novo. Queremos um pouquinho de tudo, somos incentivados a isso. E é gostoso, mas não menos perigoso, tudo depende do ponto de vista. E viva o mundo da baixa resolução, de vídeos por celular e do second life! A quantidade de informação não pára de aumentar. Já a qualidade, é mais discutível... ou não.

Voltando à Revista, o que mais causou espanto na matéria foram os relatos das mães que participaram da reportagem. Elas ficaram assustadas com o comportamento dos filhos, de darem atenção para duas, três, quatro, até cinco coisas diferentes ao mesmo tempo. Isso mostrou que essas mães dão pouca atenção aos filhos, não têm muita convivência com eles, pois mal sabiam o que estavam fazendo em casa.

Esse talvez seja um problema, e, de certa forma, também não é culpa delas, pois estão inseridas na lógica do mercado. Para manter os costumes da vida moderna é preciso de dinheiro, o que, na maioria das vezes, significa mais trabalho. Assim, os pais terceirizaram a atenção - o convívio que deveriam ter com os filhos - para os aparatos tecnológicos, as novas babás eletrônicas da modernidade. Embora também, dependendo da relação familiar, talvez a criança saia ganhando em não ter os pais muito por perto. E quem gosta disso é o mercado publicitário, que enxerga a criança como presa fácil, "verdadeira trainee do consumo", nas palavras do professor Daniel Galindo.

terça-feira, 29 de julho de 2008

A democracia do standing não esconde a falta de educação

Segundo editorial do jornal Diário do Grande ABC, de 29 de julho de 2008, 20 milhões de brasileiros migraram das classes E e D para a C. Eles são responsáveis por 75% de todo o consumo do país. “Em bairros periféricos e até mesmo em favelas da região é possível encontrar residências estruturadas, recheadas de bens de consumo e serviços da vida moderna, como computador, internet e TV por assinatura”, afirma o texto.

De fato, a população começa a ter acesso a bens de consumo, antes privilégio das elites. E isso não acontece somente nas classes baixas. A classe média também escalou a Pirâmide de Maslow e, agraciada com as linhas de crédito, pôde financiar aquele carrão do sonho em até 80 vezes, ainda que, no final do financiamento, tenha chegado à conclusão de que pagou o equivalente a dois ou até três carros. Na verdade, muita gente pouco se importa com as taxas de juros no momento da compra. O desejo de posse do tão sonhado objeto é maior do que a preocupação financeira.

Não vejo nada de mal em adquirir aquilo que se quer, até porque o brasileiro é um povo que trabalha muito, paga imposto pacas e tem praticamente quase nenhum retorno do poder público. O problema é que essa ascensão de classes é ilusória. É o parecer, mais do que o ser. É a democracia do standing, segundo o filósofo Jean Baudrillard. Para ele, “o princípio democrático acha-se então transferido de uma igualdade real, das capacidades, responsabilidades e possibilidades sociais, da felicidade (no sentido pleno da palavra) para a igualdade diante do objeto e outros signos evidentes do êxito social e da felicidade. É a democracia do standing, a democracia da TV, do automóvel e da instalação estereofônica, democracia aparentemente concreta, mas também inteiramente formal, correspondendo para lá das contradições e desigualdades sociais à democracia formal inscrita na constituição”. Isso significa que o mundo dos objetos, das facilidades, encobre um mundo real de responsabilidades e direitos.

Hoje de manhã, enquanto estava de carro parado num semáforo, aguardando o sinal verde, fui testemunha de uma cena que me fez refletir sobre tudo isso. Dois rapazes muito bem vestidos, com pinta de executivos, em um carro bacana, pegaram um panfleto - daqueles que são distribuídos em tudo quanto é semáforo - e, na maior cara-de-pau, jogaram o papel na rua, pela janela. Na hora, fiquei indignado com a atitude dos dois e me perguntei: como pode? Além do desrespeito com a pessoa que estava entregando o material - pois ninguém é obrigado a aceitar - jogar o papel em via pública é, no mínimo, falta de educação. Naquele momento, a máscara por trás da qual estavam escondidos - carro moderno, gel no cabelo e roupa fina – caiu imediatamente.

Cheguei à conclusão de que a democracia dos objetos – embora festejada por muitos - não dá conta de inserir determinadas pessoas num patamar superior quando o que está em jogo são coisas simples, como o respeito, a gentileza e a educação, que andam meio esquecidas nos tempos modernos. E antes que alguém me acuse de ser preconceituoso, deixo bem claro o seguinte: tudo o que não quero dizer é que pobre é que não tem educação. Pelo contrário, o que noto é que, na maioria dos casos, à proporção que cresce a riqueza material do indivíduo, aumenta seu grau de egoísmo, diminuem as noções de civilidade e de compromisso como cidadão que, além de direitos, tem deveres. E esses deveres vão muito além de simplesmente pagar impostos ou as parcelas de financiamento do seu lindo automóvel.

Envolvimento com a marca em meio aos sabores do vinho

Nas férias de julho eu e minha esposa fomos para a cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, região famosa por seus vinhedos. Fomos fazer um curso de degustação de vinhos na Escola do Vinho Miolo. Não que a gente seja do tipo aspirante a enólogo, o que mais nos motivava, até então, era mesmo saborear o néctar dos deuses. Confesso que ficamos impressionados com o curso, ou melhor, com a ação de branding da vinícola. A começar pelo local, muito bonito, organizado, limpíssimo e agradável. O curso já começa envolvendo o participante em um outro ambiente. Antes de circular pela fábrica, é preciso vestir um avental branco, uma toca e sacar uma taça para a primeira fase das aulas.

Tudo começou com a visita às parreiras, na companhia de um dos enólogos da empresa. Lá, recebemos as explicações sobre o modo de cultivo e diferenças de solo dos locais onde a vinícola produz. Logo depois, fomos para o espaço de produção do vinho, onde recebemos explicações sobre os processos de fermentação e as diferenças entre as produções de tintos, brancos, rosés e espumantes. Conforme o enólogo ia explicando o processo, seguido de experimentação, o envolvimento com a marca Miolo ia aumentando. Cheguei a pensar, naquele momento, que uma garrafa de vinho, daquelas da Miolo, era barata pelo grau de cuidados que o produto exigia.
Em seguida, ouvimos sobre a história e evolução do vinho, as melhores formas de conservação, dicas de serviço e, então, chegou a hora da tão esperada degustação: nada menos que 16 tipos de vinhos dispostos em taças, bem à nossa frente! Nesta última etapa, confesso que não apenas degustei, mas bebi mesmo todos eles – sem descartar nada no local apropriado para isso - pois estava deliciado, não só com a bebida, mas com todo o processo.

Para terminar, recebemos o certificado de participação e ainda fomos convidados a participar de um almoço regado a muito vinho, música italiana e pratos típicos da região. Os alunos também foram agraciados com a informação de que teriam 25% de desconto na compra de qualquer produto da loja da Miolo, localizada dentro da própria vinícola.

Muito além de um curso, com certeza essa foi uma experiência que nos possibilitou grande envolvimento com a marca. É o Marketing Experimental, de Bernd H. Schmitt, na prática. Foi aí que imaginei outras indústrias, principalmente as dos ramos de bebidas e alimentos, investindo em ações do tipo: abrindo suas portas para programas de relacionamento com o consumidor, baseados na experimentação, na vivência com as marcas.

sábado, 5 de julho de 2008

As marcas ainda vão dominar o mundo; e o cartório de registros

- Oi, eu sou Sony da Silva.
- Prazer em conhecê-la. Eu sou Credicard Pereira e esse é meu filho, o Fisher-Price.

Essa apresentação entre duas pessoas ainda soa estranha hoje. Até parece conversa de doido. Mas, daqui a alguns anos, ela tem tudo para virar realidade. Basta olhar à nossa volta.

As marcas estão dominando o mundo. Elas estão por todos os lados, espalhadas, se multiplicando, se apropriando de tudo. Cada vez mais invadem sua privacidade, seus momentos de lazer. É Teatro Abril, Credicard Hall, Espaço Unibanco, HSBC Belas Artes. Títulos de revistas customizadas, então, não param de crescer. É revista da TAM, da Volks, da Nestlé, do Comprebem. E a onda dos customizados também já chegou ao dial, quem diria! A primeira a surgir, pelo menos aqui no Brasil, foi a Rádio SulAmérica Trânsito. A mais recente, a Rádio Mitsubishi, “A Rádio Pra Quem é 4X4”, colocou os nomes dos carros da empresa nos programas musicais. Se você que ouvir música e informação nas manhãs, fique ligado no “Pajero Full in the Morning”. É o mundo das marcas, gente!

Outro tipo de ação, até então desconhecida, foi a que aconteceu em junho. A Bohemia, da Ambev, assumiu a rádio Eldorado por 35 horas, em uma ação que promoveu o novo conceito da marca. Segundo notícia do Portal da Propaganda, a Rádio Eldorado Bohemia teve "programação voltada às histórias de artistas, escritores, cineastas e músicos consagrados pela qualidade dos trabalhos e dedicação, mostrando que, como a cerveja Bohemia, o reconhecimento da excelência do trabalho se dá com o passar dos anos". Neste caso, aliás, não se respeitou o ouvinte, pois o que ele ouviu, mesmo talvez sem ter noção disso, eram programas vinculados aos objetivos comerciais de uma marca de cerveja.

Com a coisa nesse ritmo, não vai levar muito tempo para as marcas batizarem as pessoas. Aliás, já tem gente tatuando a logomarca da empresa em seu próprio corpo. É o caso da Harley-Davidson. Tem muito grandalhão riscando a marca no braço, mas, por enquanto, apenas por uma relação de amor.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

No país do futebol até Presidente da República aparece no lançamento do novo Gol

O Presidente da República foi praticamente garoto propaganda do lançamento do novo Gol da Volks, algo que soa no mínimo esquisito por se tratar de pessoa pública em lançamento de produto comercial - mas isso é assunto pra uma outra ocasião.

Não bastasse isso, em seu discurso Lula disse que a boa fase da indústria automobilística se deve ao próprio setor, que acreditou na estabilidade econômica. “A indústria está batendo recordes todo mês de produção e de vendas. Quanto mais as indústrias crescerem, quanto mais fornecedores tiverem, quanto mais concessionárias abrirem, mais empregos vão gerar. E gerando mais empregos, vão gerar mais salários, vão ter mais consumidores. Mais consumidores, mais empregos e assim passamos a viver um ´ciclo virtuoso`", declarou. Tudo muito lindo mas, ao mesmo tempo em que há um incentivo das empresas, da propaganda e do Presidente para se comprar carros, por outro lado há o discurso de ONGs e de outros setores de que o cidadão consciente é aquele que deixa seu carro na garagem, por causa do trânsito, meio ambiente, bláblábláblá. Não que os argumentos não sejam válidos. Mas quem sempre fica com o abacaxi na mão, angustiado, meio perdido e estressado, é o cidadão. Se a comercialização de veículos é importante, se ela ajuda o desenvolvimento do país, que, aliás, já foi iniciado por meio de rodovias, o mínimo que podemos esperar é que nos dêem alternativas, condições para que a frota de fato possa ser ampliada com mais qualidade e segurança para o meio ambiente e o consumidor.

Por outro lado, é fácil perceber que o caso dos meios de transporte é o mesmo dos demais setores da área pública: educação, saúde, segurança etc. Como os governos não conseguem resolver o problema, precisam apoiar a iniciativa privada e, assim, cada um que se vire do jeito que dá. Aliás, com o recorde de produção de veículos veio também o boom dos recalls. O caso mais recente foi o do FOX, que ficou popularmente conhecido como corta-dedo. Segundo matéria publicada no Estado de São Paulo, de 30 de junho, “os sucessivos recordes de vendas de carros obrigaram as montadoras a acelerar a produção num ritmo muito acima do previsto. Para dar conta da demanda, várias fábricas operam 24 horas durante os sete dias da semana, convocam horas extras e criam novos turnos.[...] Só neste ano, 818,2 mil veículos foram convocados para consertos. Em todo o ano passado foram 256,3 mil. [...] Desde meados dos anos 90, quando a indústria automobilística introduziu no País os recalls, 6,2 milhões de carros passaram por convocações, o equivalente a 25% de tudo o que foi vendido no período”.

Por isso, é preciso fiscalizar as empresas, criar regras para garantir mais qualidade e condições de rodar, seja de carro próprio ou de transporte público. Porém, uma coisa é fato: não é servindo de garoto propaganda que os nossos políticos vão conquistar vitórias para o cidadão comum, que está em campo todos os dias e também precisa garantir seus gols.

Crédito imagem: http://substantivolatil.com/page/3

sábado, 28 de junho de 2008

Gentileza tecnológica

Para quem vive neste mundo material, dos objetos, nas palavras de Jean Baudrillard, os seres humanos até que têm muito o que aprender com suas crias.

É claro que não podemos generalizar, felizmente há pessoas conscientes e gentis nesse mundão. Mas a gentileza nos aparatos tecnológicos tem crescido e está presente em diversos segmentos. É o carro que avisa quando você desliga o motor e deixa o farol ligado ou quando está em trânsito com a porta aberta. A TV que desliga automaticamente, o forno com timer pra você não torrar aquele prato delicioso que está preparando, o Word que pergunta se você deseja salvar o documento, o Orkut que dá as boas vindas quando você acessa a comunidade, entre outras coisas.

É claro que a tecnologia tem lá seus problemas e, muitas vezes, te deixa na mão. Mas, nos tempos modernos, certas delicadezas ficaram esquecidas. Ceder o lugar no transporte público para uma pessoa com criança de colo, avisar o motorista do lado que sua porta está aberta, falar para o porteiro do prédio que o vizinho esqueceu a lanterna do carro ligada, enfim, atitudes simples que demonstram gentileza e preocupação com o semelhante são cada vez mais raras.

Muito se fala da necessidade de uma vida mais simples. Mas que simplicidade seria essa? A de consumir menos objetos e experimentar prazeres? Não acredito ser o consumo o maior vilão dessa sociedade estressada e insensível. Talvez essa "transferência de gentileza", do homem para os objetos, seja uma forma de esquivar-se de suas responsabilidades de cidadão. Acredito que essa vida simples, tão desejada, deva começar nas atitudes para com o semelhante e que seja baseada na fraternidade, no respeito, na educação e na gentileza. Afinal, são as coisas simples que podem transformar nossas vidas, para melhor ou não.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O milagroso da mulheres

As mulheres vão adorar. A minha também, né, amor? Chega de cabelos arruinados por chuva ou vento. Mas só pra quem estiver em Londres, pelo menos por enquanto! A novidade é uma máquina de chapinha! Isso mesmo, aquela que as mulheres ficam horas passando no cabelo pra fazer aquele penteado maravilhoso. O lance é que essa máquina pode ser encontrada em academias, restaurantes, bares e clubes. Basta 1 libra pra deixar a cabeleira bagunçada um arraso de novo. No site http://www.beautifulvending.com/

PDV ou PDE?

Já imaginou uma loja que não vende nada?! Pois é, essa é a cara da Sample Lab, de Toquio, no Japão. E qual é o seu objetivo, então? A Sample Lab é um espaço de distribuição de brindes. Não é um ponto-de-venda, mas um ponto-de-experimentação, vamos dizer. A idéia é sacada e faz os adolescentes se aglomerarem na porta, em grandes filas. Mas, como nada é de graça, pra ter acesso aos mimos é preciso fazer um cadastro no site. Paga-se 11 dólares de inscrição e mais um fee anual que dão direito a pegar 5 brindes a cada visita - amostras de produtos cosméticos, de comidinhas e acessórios.
A idéia pode pegar aqui no Brasil, que caminha com alguns ambientes já preparados para a experimentação. É o caso da Samsung Experience, no Shopping Morumbi, onde as pessoas têm a possibilidade de vivenciar momentos de alta tecnologia com produtos da marca. A Casa Gourmet Arno, em São Paulo, Minas e no Rio, também coloca as pessoas em contato com produtos Arno e T-Fal por meio de cursos gratuitos de culinária, beleza e etiqueta. Segundo informações do site, os cursos têm participação de mais de 6 mil pessoas por mês. Isso é que é relacionamento com a marca!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

A pequena poderosa



Fazia tempo que não conhecia uma publicação de qualidade tão boa. A ResultsON é prova de que tamanho não é documento. Apesar de pequena em seu formato, a revista é gigante em conteúdo. Em um tom mais descolado, que foge das publicações das editoras tradicionais, a ResultsON alia conteúdo inteligente com design moderno e clean. Vale a pena conhecer. A distribuição é gratuita. A revista pode ser encontradas em cafés, restaurantes e revistarias. No site, você confere os locais. Aliás, pra quem quer conhecer agora é só acessar http://www.resultson.com.br. Mas o gostoso mesmo é folhear sua páginas. Experimente!

Eletrônico de corpinho enxuto

Dá uma olhada neste vídeo e veja o que a Sony está preparando. A tela tem a espessura de um cartão de crédito. A cultura do corpinho enxuto invadiu o mercado tecnológico. A Apple que se cuide com o Mac Air! Logo, logo, ele vai precisar de uma dieta.