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quinta-feira, 30 de julho de 2009

0% de gordura trans, saudável?

A vedete agora é o 0% de gordura trans. São muitos os alimentos que levam em destaque essa descrição. Nos supermercados é comum a troca de conselhos entre os consumidores: “veja se não tem gordura trans”; “esse deve ser mais saudável, pois não tem gordura trans”.

De fato, a tal gordura trans faz mal à saúde. Ela é a pior das gorduras. Foi por isso que o governo determinou, desde 2007, que a indústria de alimentos informasse ao consumidor a quantidade desse tipo de substância contida nos produtos. Com a exigência e a repercussão da medida, as empresas começaram a se movimentar para adaptar suas fórmulas, tentando substituir a todo custo a gordura trans. Mas o simples fato de estar livre dela não garante, em hipótese nenhuma, que o produto seja saudável. Aliás, muitos rótulos trazem a inscrição 0% de gordura trans, porém, pode ser que estejam se referindo apenas à quantidade de uma porção, que se for muito pequena, não precisa ser considerada na embalagem. Mas em duas ou três porções, o risco já pode aparecer!

O Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – faz um alerta aos consumidores: olhe os ingredientes, se entre eles encontrar qualquer menção a óleos parcialmente hidrogenados, gordura vegetal ou gordura hidrogenada – que são fontes das tais gorduras trans - é possível que, em algumas porções, o consumo dessas gorduras seja muito maior do que se imagina (Revista IDEC nº 116).

Além da gordura trans, há outros ingredientes que podem fazer muito mal à saúde. A gordura saturada, o sódio e o açúcar, por exemplo, são substâncias que, se consumidas em excesso, podem contribuir para o aparecimento ou agravamento de diversas doenças, tais como colesterol, diabetes e hipertensão. Apesar de não ser perceptível, muitos doces trazem uma quantidade grande de sal em sua composição. Mas e o açúcar? Por incrível que pareça, não há uma exigência legal para a divulgação da quantidade desse nutriente nos alimentos e bebidas. Ele permanece escondido entre os carboidratos, responsáveis por fornecer energia ao corpo.

As crianças e os ingredientes não-saudáveis
Um outro grande problema é que a rotulagem nutricional de alimentos e bebidas normalmente utiliza os valores diários de um adulto (2.000 kcal), como base de referência, pois a indústria também não é obrigada a dispor essas informações baseadas nas necessidades diárias de uma criança, que aliás, variam de acordo com a fase de desenvolvimento. Dessa forma, a criança pode estar ingerindo um alimento adequado para a dieta de um adulto, mas que muitas vezes extrapola suas necessidades diárias daquele nutriente, o que pode levar ao aparecimento de problemas como a obesidade infantil. “O excesso de peso na infância costuma programar o organismo para uma vida inteira de saúde frágil. Os médicos estão enfrentando o desafio de combater colesterol alto, hipertensão e doenças do fígado - problemas tipicamente adultos – em crianças cada vez mais novas” diz reportagem da revista Época, de março de 2009.

Assim, ainda que falte muita informação ao consumidor, para que possa fazer da sua escolha uma decisão coerente, ainda é mais prudente, no momento da compra, verificar os ingredientes e as informações da rotulagem nutricional, conforme orientação da ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária – “para alimentos e bebidas produzidos, comercializados e embalados na ausência do cliente e prontos para oferta ao consumidor”.

O 0% de gordura trans é um movimento bem-vindo.Mas, para saber se de fato estamos ingerindo alimentos saudáveis, de acordo com nossas necessidades diárias, é fundamental termos novas ações legais por parte da ANVISA e até mesmo uma mudança de cultura por parte do consumidor, que pode exigir das empresas e dos órgãos públicos informações claras que o ajudem a ter uma vida mais saudável.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Será somente migração de quereres?

Fiquei muito feliz com a notícia “Propaganda de alimentos deverá ser voltada aos pais”, veiculada dia 17 de janeiro na Folha de São Paulo. Por isso não poderia deixar de comentá-la aqui.

A decisão das empresas Burger King Europa, Coca-Cola, Danone, Ferrero, Kellog´s, Kraft, General Mills, Mars, Nestlé, PepsiCo e Unilever, que assinaram o termo de compromisso europeu EU-Pledge, em 2007, e que passa a valer a partir deste ano, é para comemorar. Claro que o problema do consumismo infantil não se resume à publicidade na tevê e, consequentemente, não se resolve apenas com uma medida isolada. Sabe-se que o universo infantil de hoje é habitado por freqüentes inputs de consumo e que é a educação que deve ser tratada de maneira que dê suporte necessário para proporcionar aos futuros adultos uma postura mais crítica, consciente e humanizada das coisas terrenas. E o trabalho de educação também deve ser direcionado para gente grande. Se as crianças enxergam os adultos como modelos e estes continuam os mesmos, não há mudança, apenas repetição do cenário que se tem hoje.

De qualquer forma, a notícia é muito positiva porque colabora para que o tema seja debatido, gerando assim um sentimento de mais consciência para com nossas crianças. E grandes empresas tendo posturas como esta, faz com que outras passem a refletir sobre o tema, pois ir na contramão pode ser um começo de perda de lucros. E esse decréscimo pode aumentar na proporção do crescimento da conscientização da sociedade, que pode deixar de comprar produtos cuja comunicação não respeite os pequenos.

Lado B
Por outro lado, crianças de até seis anos estarão expostas a propagandas voltadas às crianças que tenham sete anos ou mais. O que pode acontecer – e nesse caso a ação passa a não ter validade - é uma migração, inclusive dos pedidos. Se as crianças já gostam de produtos destinados aos adultos, entre eles podemos citar o telefone celular, que dirá dos brinquedos destinados aos pequenos que são apenas um pouco maiores daqueles com seis anos. Por isso precisamos ficar atentos para que a ação das empresas não represente apenas uma migração dos quereres.

ANVISA
Esperamos que a ANVISA consiga lançar a regulamentação sobre a propaganda de alimentos. E espero que a iniciativa não fique restrita somente a propaganda, pois é preciso levar em consideração todas as ferramentas e estratégias da comunicação mercadológica, da qual a propaganda é apenas uma delas.

TV Cultura
Também quero registrar aqui a postura louvável da TV Cultura que, desde 1º de janeiro de 2009, se comprometeu a não veicular publicidade de produtos durante a programação infantil da emissora.