Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

E-Cigarette, era só o que faltava!

Em tempos de cerveja sem álcool, de e-book e de boneca inflável, o tal cigarro eletrônico até que não é grande novidade. Comercializado nos Estados Unidos, a engenhoca chega ao Brasil nos próximos dias e promete fazer sucesso entre aqueles que adoram um cigarro entre os dedos. Seu lançamento por aqui coincide com a lei antifumo em vigor no Estado de São Paulo, que acabou até com os espaços reservados para fumantes em estabelecimentos comerciais.

O e-cigarette, como é chamado, tem tecnologia baseada em microeletrônica, produz fumaça e tem filtro aromatizado. Para ser mais útil, poderia ser também um pen-drive, um MP3 ou coisa que o valha.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

A cidade (re)criada pela infância

Por meio do portal Cultura Infância, tive acesso ao texto "A cidade (re)criada pela infância", de Nayana Brettas Nascimento, que me fez pensar o quanto a cidade planejada e construída por adultos para adultos, não inclui as crianças. “As expressões corriqueiras ´lugar de criança é na escola` ou ´a rua não é lugar de criança` revelam quais são os lugares da infância na cidade e que tipo de relação devem estabelecer com ela”, declara a autora.

O texto também me fez imaginar uma cidade em que os adultos pudessem deixar aflorar a criança que um dia já foram. Ah, com certeza seria uma cidade mais alegre, mais espontânea, muito mais divertida de viver. Seria mais ou menos como coloca Nascimento, quando trata da contribuição das crianças para com a cidade, quando elas ocupam seus espaços. “Ter as crianças circulando e ocupando os espaços públicos da cidade contribui para o resgate das relações entre as pessoas. A espontaneidade das crianças em conversar com aqueles que encontram pelas ruas sem mesmo conhecê-los fazem pernas aceleradas pararem, bocas conversarem e olhares se cruzarem, e fazem sorrisos serem esboçados em faces sérias e sisudas”, diz Nascimento.

Leia o texto na íntegra.

Veja também o texto no Portal Cultura Infância.

Foto: New Life

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Chupeta*, choro, comunicação e consumo

Até há um tempo atrás pensava que as crianças gostavam de chupetas pois via grande parte delas com uma na boca. Também sempre observei que crianças choronas ficavam quietas quando um adulto colocava uma chupeta em suas bocas. Assim, pra mim, o único mal da chupeta era a história que sempre ouvi de que ela entortava os dentes de quem as usasse.

Pois bem. Foi há pouco tempo também que descobri que a chupeta representa muito mais do que um simples instrumento usado pelos pais para fazer o bebê parar de chorar e que este choro é a forma que os bebês têm de se comunicar, de expressar seus sentimentos, desejos e dores. E foi por isso que passei a acreditar que as crianças não devem gostar tanto de chupeta como às vezes parece.

E se o choro é a forma da criança - que ainda não sabe falar - se expressar, e a chupeta é um meio de parar com o choro, a chupeta, portanto, exerce a função de um cala-boca. Para Tracy Hogg, no livro Os Segredos de uma Encantadora de Bebês, esse ato seria o mesmo que colocar uma bola de meia na boca de um adulto. A recomendação da autora é para observar o que aconteceu antes e o que está ocorrendo naquele momento do choro: como foi a alimentação da criança, se há algum barulho diferente no ambiente, além de prestar atenção nos movimentos dela para poder compreender o que a criança está querendo dizer.

É claro que procurar entender o que a criança está tentando comunicar por meio do choro dá muito mais trabalho, pois exige paciência, tempo, dedicação e sensibilidade para aprender a ouvir. Isso tudo somado às preocupações e afazeres da vida pós-moderna, torna mais fácil e prática a atitude automática da chupeta que, apesar de não atuar sobre a causa, é um tranqüilizante momentâneo para os adultos, que querem o silêncio imediato.

Aplicando a idéia à sociedade de consumo, percebe-se que há muita relação de empresa com cliente baseada no “mecanismo da chupeta”. Em vez de procurar entender os desejos e necessidades de seus consumidores - o que requer disposição para ouvir, para construir um relacionamento de verdade - há empresas que, talvez por ser mais fácil, embora menos inteligente, optem pelo cala-boca, o que significa, quase sempre, perder o cliente.

Tanto no caso das crianças quanto das empresas, a relação baseada na chupeta causa perdas. Para empresas, o prejuízo é sentido mais no capital. Já no caso das crianças, a perda talvez seja ainda maior, pois os pais podem estar deixando de conhecer melhor seu filho, de iniciar a construção de um relacionamento.

Poderá ser a chupeta responsável por tudo isso?

*Chupeta= Mamilo de borracha para crianças (dic. Aurélio)

Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Infância adulterada: sentido pra quem?

Com agendas de verdadeiros executivos, as crianças da classe média acordam muito cedo para ir à escola. De lá vão para a natação, depois para a aula de inglês, aula de dança ... e vão dormir tarde, geralmente depois daquela festa nos tais bufês da vida. É aula disso, competição daquilo. Os pais enchem os filhos de atividades porque querem o bem de seus pequenos. “Esse vai conseguir um ótimo emprego, vai estar pronto para disputar as melhores vagas no mercado de trabalho, vai ser um vencedor”, devem imaginar esses pais. Em contrapartida, as brincadeiras e até as discórdias entre colegas vão deixando de existir. A infância passa a ficar cada vez mais curta, pois é tomada por compromissos e mais compromissos. Para o psicólogo Ives de La Taille, no livro Formação Ética: do tédio ao respeito de si - presente de aniversário que ganhei da querida amiga Bia - apesar do número de compromissos aproximar a rotina da infância ao dia-a-dia típico de um adulto, quando crescem de fato, esses indivíduos acabam ficando meio que estagnados numa adolescência quase sem fim. Foram tão superprotegidos e amparados pelos adultos que tomavam decisões e resolviam conflitos por eles que não conseguem encarar a vida de frente para vencer obstáculos. Isso porque na visão míope dos pais, o fundamental é que as crianças se desenvolvam intelectualmente, que saibam língua disso e daquilo. Mas e o outro lado? A vida não se resume apenas a trabalho! E o amor, a auto-estima das crianças, como tem sido trabalhada? A capacidade de lidar com os conflitos? A criatividade e a imaginação? Para La Taille, “muitos dos elementos do mundo adulto não fazem sentido para as crianças. Logo, obrigá-las a viver como adultos implica privá-las dos sentidos que elas poderiam construir se deixássemos que vivessem tranqüilamente sua infância”.

Por exemplo: se, no passado, as crianças aprendiam futebol na rua, com outras crianças - e com isso aprendiam a resolver seus conflitos entre si - hoje há escola pra tudo, o que diminui a oportunidade de interação com os próprios pares. Afinal, nesse caso, quem apita o jogo é um adulto. Quem resolve os conflitos é um adulto. Aceitando ou não, a solução é imposta. “O que era uma atividade de cooperação (tipo de relação social simétrica, estabelecida entre pessoas que se vêem, umas às outras, como iguais) acabou se transformando em coação (tipo de relação social assimétrica, na qual um pólo decide e determina o que o outro vai fazer”, afirma La Taille. E, na coação, continua o autor, lembrando Piaget: “[...] as relações não desencadeiam, ou desencadeiam pouco, o processo de descentração necessário à evolução psicológica. Quem obedece, quem pauta suas ações pelas ações de outrem, pouco precisa pensar na razão de ser de tais ações”. É por isso que acaba faltando, para o jovem, maturidade e experiência para resolver conflitos e tomar decisões quando se sente desamparado por falta de um adulto por perto.

A infância adulterada pode trazer resultados totalmente contrários àqueles esperados pelos pais, quando adiantaram as atividades de adultos a seus filhos, como descreve o autor: “Os adultos querem que as crianças queimem etapas, mas são as disposições psicológicas infantis que acabam por partir em fumaça. E o sentido se esvai, e o tédio se impõe. E, quando chegam à adolescência, abandonam o esporte que precocemente lhe foi imposto, abandonam no armário os instrumentos que foram levados a tocar, mal sabem falar as línguas estrangeiras que lhes foram ensinadas, sabem fazer amor mas não sabem amar e, por falta de reais paixões, se mostram amorfas e, logo, pouco ‘competitivas’”.

Para o autor, cuidar das crianças é respeitá-las em sua singularidade e não lhes impor uma vida que não faz e não pode fazer, para elas, sentido: “[...] cuidar das crianças não é tutelá-las vinte e quatro horas por dia. Não é vigiá-las sem cessar. Não é privá-las de relações de cooperação. Jogadas em um mundo que não tem, para elas, sentido, não crescem. Constantemente amparados pelos adultos, elas também não crescem”.

Por isso, precisamos, no dia-a-dia, praticar mais relações do tipo cooperação e menos do tipo coação e deixar as crianças viverem de fato uma infância verdadeira, que tenha sentido pra elas. E, para isso, os pais precisam acompanhar os filhos, sem muitas vezes interferir em suas decisões, iniciativas e processos criativos. Mas é preciso saber dosar o momento de deixar e a hora de interferir, para que a educação aconteça de forma saudável e sem queimar etapas. Na verdade, os pais deveriam brincar mais com seus filhos, em vez de interferir ou simplesmente superproteger os pequenos.

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

MESA REDONDA - Publicidade de alimentos dirigida ao público infantil

O Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - e o Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana realizaram, no dia 10 de março, no auditório da Escola Paulista de Medicina, mesa redonda para discutir as práticas de publicidade e marketing de alimentos e bebidas dirigidas para crianças. O evento fez parte das comemorações do Dia Mundial do Consumidor (15 de março) e seguiu o tema eleito pelas entidades membros da Consumers International para a data.

Acesse o site do Alana para saber como foi o evento.

Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Se relacionando com o VELHO

Outro dia fiz um post - que está um pouco abaixo deste - falando sobre o relacionamento com o NOVO. O texto diz que seria muito positivo se o indivíduo aplicasse a mesma ânsia que tem por novos bens de consumo à vontade de se renovar, de promover uma reforma íntima, fazendo surgir, assim, um novo homem. E foi pensando sobre o Novo que resolvi falar sobre o VELHO.

Em tempos de modernidade, VELHO é sinônimo de sarcófago, de coisa fora da moda, que não serve mais, sem utilidade, um grande estorvo pra humanidade. Até porque é o VELHO que contribui com as toneladas de lixo que juntamos e/ou descartamos, ainda que o velho que vai para o lixo não seja tão velho assim (mas para a vida útil dos produtos hoje em dia, ele é sempre mais do que VELHO). Do ponto de vista dos objetos é isso: o velho é o que já está fora de moda, cujo modelo foi ultrapassado por um lançamento, por um NOVO modelo. Por isso, o que é velho acaba virando lixo, peça descartável. Se utilizássemos a prática dos 3 Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) já conseguiríamos diminuir o surgimento de novos VELHOS e, desta forma, a quantidade de lixo. A economia para o bolso também seria maior. Aliás, Jack Johnson tem uma música chamada The 3 R´s (letra original - letra traduzida) - em seu disco de nome Sing-a-Longs and Lullabies For The Film Curious George - que fala sobre essa prática.

Bom, se mudarmos o foco para as pessoas, o VELHO também é visto com certo preconceito, como estorvo, sinônimo de um desatualizado. Porém, os avanços da medicina começaram a proporcionar à sociedade uma expectativa de vida mais longa. E isso fez com que rapidamente o mercado reagisse, criando produtos específicos para essas pessoas, que passaram a ser vistas como consumidores ativos, que utilizam o dinheiro para remédios, vitaminas, viagens, diversões, enfim, o VELHO passou a ser mais respeitado pois, na lógica capitalista, ele está cada vez mais apto e decidido a consumir. Assim, quanto mais tempo o indivíduo permanecer vivo, mais ele poderá comprar.

E a palavra VELHO já soa tão pejorativa em nossa cultura que o politicamente correto sugere conceituar os mais VELHOS como Terceira Idade ou, no mínimo, idosos. Mas, como diz Rubem Alves, já pensou se em vez de O Velho e o Mar, Hemingway colocasse em seu livro o título de O Idoso e o Mar? Ou, então, pra piorar a Pessoa da Terceira Idade e o Mar? Não dá, não caberia, pois soa falso, perde o conteúdo e a poesia.

É por isso que a palavra VELHO tem seu particular. É bonita essa coisa do VELHO, pois ele representa experiências, marcas, histórias, alegrias e tristezas. O VELHO viu nascer e morrer, tem o privilégio da maturidade. VELHO não é estar gasto, ao contrário, quanto mais VELHO, mais novo se pode ser. Mario Sergio Cortella, filósofo e professor da PUC-SP, diz em um de seus livros que, ao contrário do sapato que já nasce pronto e vai se desgastando, o homem não nasce pronto. Com o passar do tempo, a cada nova experiência, ele vai se fazendo e refazendo, deixando florescer seu mais novo modelo em cada momento do presente.
Assim, enquanto o VELHO pode estar repleto do NOVO, o NOVO pode ser o velho de sempre, apenas disfarçado de um pseudo-novo.

Que viva o VELHO!!!

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Será somente migração de quereres?

Fiquei muito feliz com a notícia “Propaganda de alimentos deverá ser voltada aos pais”, veiculada dia 17 de janeiro na Folha de São Paulo. Por isso não poderia deixar de comentá-la aqui.

A decisão das empresas Burger King Europa, Coca-Cola, Danone, Ferrero, Kellog´s, Kraft, General Mills, Mars, Nestlé, PepsiCo e Unilever, que assinaram o termo de compromisso europeu EU-Pledge, em 2007, e que passa a valer a partir deste ano, é para comemorar. Claro que o problema do consumismo infantil não se resume à publicidade na tevê e, consequentemente, não se resolve apenas com uma medida isolada. Sabe-se que o universo infantil de hoje é habitado por freqüentes inputs de consumo e que é a educação que deve ser tratada de maneira que dê suporte necessário para proporcionar aos futuros adultos uma postura mais crítica, consciente e humanizada das coisas terrenas. E o trabalho de educação também deve ser direcionado para gente grande. Se as crianças enxergam os adultos como modelos e estes continuam os mesmos, não há mudança, apenas repetição do cenário que se tem hoje.

De qualquer forma, a notícia é muito positiva porque colabora para que o tema seja debatido, gerando assim um sentimento de mais consciência para com nossas crianças. E grandes empresas tendo posturas como esta, faz com que outras passem a refletir sobre o tema, pois ir na contramão pode ser um começo de perda de lucros. E esse decréscimo pode aumentar na proporção do crescimento da conscientização da sociedade, que pode deixar de comprar produtos cuja comunicação não respeite os pequenos.

Lado B
Por outro lado, crianças de até seis anos estarão expostas a propagandas voltadas às crianças que tenham sete anos ou mais. O que pode acontecer – e nesse caso a ação passa a não ter validade - é uma migração, inclusive dos pedidos. Se as crianças já gostam de produtos destinados aos adultos, entre eles podemos citar o telefone celular, que dirá dos brinquedos destinados aos pequenos que são apenas um pouco maiores daqueles com seis anos. Por isso precisamos ficar atentos para que a ação das empresas não represente apenas uma migração dos quereres.

ANVISA
Esperamos que a ANVISA consiga lançar a regulamentação sobre a propaganda de alimentos. E espero que a iniciativa não fique restrita somente a propaganda, pois é preciso levar em consideração todas as ferramentas e estratégias da comunicação mercadológica, da qual a propaganda é apenas uma delas.

TV Cultura
Também quero registrar aqui a postura louvável da TV Cultura que, desde 1º de janeiro de 2009, se comprometeu a não veicular publicidade de produtos durante a programação infantil da emissora.

Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Consumir X votar

O Blog A vida como a vida quer realizou uma blogagem coletiva sobre consumo consciente, no final do ano passado. Muita gente participou e deixou comentários, inclusive a Caixa Registradora. Um dos posts muito bacanas foi o do Ecosofando, que fez um paralelo sobre o ato de consumir com o de votar. Como coloca o blogueiro, ambas ações são importantes e fazem parte do nosso modelo de sociedade. Porém, o ato de consumir acontece todos os dias, diferente das eleições para os postos do Executivo e Legislativo do nosso país, realizadas a cada dois anos.

Diariamente temos muitos momentos de decisões de consumo que representam grande poder de mudança ou de continuidade de produtos, empresas e também da nossa maneira de nos relacionar uns com os outros, embora geralmente não tenhamos essa consciência. Nesta lógica, comprar ou deixar de comprar determinado produto pode mudar toda a cultura de consumo e o rumo do nosso planeta, pode significar, sim, uma grande revolução! Abaixo segue parte do texto, que vale a pena ser lido na íntegra no Ecosofando.

“... Durante as eleições, destinamos (ou deveríamos destinar) nossos votos a aqueles candidatos que consideramos (baseado em seu histórico, suas promessas, relações políticas, etc…) mais capazes de promover as mudanças que achamos importante para nossa comunidade (país, estado, cidade, planeta, etc…).Quando elegemos um candidato, transferimos nosso poder de escolha (política). Ele será nosso representante nas decisões que afetarão nossa comunidade, durante os próximos 4 anos. Se, durante este período, este político decidir deixar de nos representar (pois mudou suas opiniões, ou mentiu sobre elas), teremos o poder de rejeitá-lo, nas próximas eleições (daqui a 4 anos). Claro que, para isso, precisamos lembrar em quem votamos, o que não é muito comum.

Quando consumimos um determinado bem (produto, serviço ou informação), estimulamos, em primeira instância, sua permanência no mercado. Estimulamos, também, uma rede de processos sócio-ambientais, relacionadas ao seu ciclo de vida (produção, distribuição, consumo, descarte, entre outros) que, efetivamente, transformam a comunidade em que vivemos (localmente e/ou globalmente). Portanto, da mesma forma que o voto, nossas escolhas de consumo têm um poder transformador sobre a sociedade. Mas, diferentemente do voto, este poder pode ser exercido várias vezes ao dia. Se a instituição responsável pela produção do bem, não tem os valores e o comportamento que achamos corretos, podemos rejeitá-la na próxima ida ao mercado, mudando de canal ou estimulando outras pessoas a não consumi-la.”

Classificação indicativa na internet?

O Reino Unido estuda a possibilidade de atribuir classificações indicativas a sites, em sistema semelhante ao usado em filmes. O secretário da cultura Andy Burnham afirmou à BBC que conteúdos encontrados na rede, como vídeos de decapitações, são inaceitáveis, e que “novos padrões de decência” são necessários.

Acho boa a idéia de classificação. Seria mais uma forma de proteger inclusive crianças de conteúdo não apropriado a elas. A mensagem poderia aparecer assim que se digitasse o endereço do site. Porém, há alguns problemas que teriam de ser resolvidos. Como seria, na prática, o procedimento para adicionar tal classificação indicativa? Como a internet não tem fronteiras, precisaria haver um acordo mundial, pois do contrário, não seria tão eficaz. Como fiscalizar a aplicação de tal classificação? Quem seria o órgão responsável?

Fonte: Caderno Informática da Folha de São Paulo, de 7 de janeiro de 2008

Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008

Se relacionando com o NOVO

Na sociedade consumista, a palavra NOVO tem um grande poder. Tudo o que ela acompanha passa a ser objeto de desejo, pois o NOVO representa - mesmo que apenas simbolicamente - algo diferente, coisa que talvez não se tenha experimentado ainda. Mesmo o que é antigo pode ser encarado como NOVO, basta que um pequeno detalhe seja modificado, para acompanhar a moda, ou como se diz, a tendência, pois, muitas vezes, o NOVO nada mais é que sinônimo de mais do mesmo. Mas não importa: possuir o NOVO, em tempos modernos, significa estar antenado, ser um homem de sucesso e não estar excluído da sociedade, mesmo que esta seja uma pseudo-inclusão.

O NOVO é estratégia para a comercialização dos produtos que, cada vez mais, têm seu ciclo de vida encurtado, pois é preciso renovar continuadamente para que se possa acompanhar as mudanças do mercado. Uma das grandes paixões dos brasileiros, o automóvel, é um exemplo que serve para ilustrar o uso exagerado do conceito de NOVO. Nem havíamos chegado ao meio de 2008 e já era possível encontrar na mídia a publicidade dos novos modelos 2009 - mesmo que esse NOVO se concretizasse, de fato, apenas num friso diferente do pára-choques.

E quanto mais modelos novos surgem, mais rápido passa a ser o descarte do que se tem, pois a partir do momento em que se toma ciência do lançamento de um novo modelo de determinado produto que está no mercado, a impressão que se tem é que seu antecessor passa a não mais cumprir seu papel. E pode acontecer mesmo de não cumprir, mais do ponto de vista psicológico do que funcional.

O problema é que não se nota a mesma ânsia empregada no relacionamento com os objetos, essa vontade de se relacionar com o NOVO, quando em relação ao próprio indivíduo, seus pensamentos e atitudes. Neste quesito, gostamos mesmo é do velho ser que habita em nós. E não são raras as vezes em que se ouve: “Sou assim mesmo, não vou mudar”, postura, no mínimo, lamentável. Por que não transportar a vontade de gozar do NOVO modelo de produto para a possibilidade de desfrutar de um novo modelo de indivíduo? E neste caso, o NOVO precisa ir além da embalagem, do puxa aqui, aspira ali, ou dos tão desejosos MLs que se pode acrescentar – para o “bem” da aparência. O upgrade pessoal também precisa ultrapassar as matérias do intelecto - quando chegam até elas - com pós disso e daquilo, línguas, cursos de extensão, aperfeiçoamento e tal - pois o NOVO, aquele que se refere à reinvenção do próprio indivíduo, é carente de novas atitudes, formas outras de se relacionar consigo e, consequentemente, com os outros.

Então, neste final de ano - época que talvez seja mais propícia para as reflexões -, nada de trocar apenas aquele “friso lateral”. O fundamental, nesse processo de transformação, começa com a vontade de conquistar um NOVO modelo de pessoa, mais fraterno, amigo, capaz de se amar e de amar as outras pessoas com quem convive, respeitando-as e respeitando-se e, acima de tudo, deixando a paz fazer parte de suas ações.

E sobre o NOVO no consumo, o que fazer, a saída seria não comprar mais nada? Não, essa não-necessidade talvez seja utopia, pelo menos no sistema vigente. Mas é possível adotar práticas de consumo mais conscientes: aproveitar alimentos, consertar roupas e sapatos, comprar menos brinquedos para filhos, netos e afilhados e, quando o fizer, propor, por, exemplo, que a criança doe um para ganhar outro. No supermercado, vale se perguntar se aquilo que está vendo e que despertou um desejo momentâneo é realmente necessário naquele momento. Enfim, é possível renovar a forma de enxergar o mundo e, mais do que isso, sua atuação nele.

Adotar uma NOVA postura, uma NOVA forma de se relacionar é mais difícil do que consumir parcelando no cartão. É preciso atitude, força de vontade, disciplina para poder deixar aflorar um sujeito que saiba respeitar e amar mais a si, os outros e os lugares por onde passar.

E então, disposto a conquistar esse NOVO sujeito?

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Manual para Boas Festas Sem Consumismo

A CCFC - Campaign for a Commercial-Free Childhood – criou o Manual Para Boas Festas Sem Consumismo, que está disponível no site da Alana. O material é composto de dicas de ativistas e autores de livros que trabalham principalmente a temática infância e consumismo. Um dos depoimentos é de Susan Linn, co-fundadora da CCFC e autora do livro Crianças do Consumo: a infância roubada, entre outras obras.

O manual é de rápida leitura, pois tem apenas seis páginas. Confira as dicas.

Se você também tem uma dica para um Natal sem consumismo, deixa um recado aqui na Caixa Registradora.

Fonte: Alana

Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

O Eatertainment: alimentando as crianças na sociedade de consumo

Artigo de Pablo José Assolini publicado no livro Comunicação Mercadológica: uma visão multidisciplinar, organizado pelo prof. Dr. Daniel dos Santos Galindo. O texto faz uma abordagem sobre as mudanças que contribuíram para a configuração do comportamento da sociedade contemporânea, principalmente no que se refere à inserção da criança na cultura do consumo.

O mercado tem utilizado o público infantil para fisgar os adultos de hoje e preparar os consumidores de amanhã. Por meio do eatertainment - conceito utilizado pela indústria de alimentos, que associa alimento à diversão – brindes, publicidades e outras ações mercadológicas são usadas para persuadir as crianças. Para ilustrar o texto, foi utilizado o caso da rede americana de fast-food McDonald’s.

O artigo também está publicado no site da Alana.

Leia o texto na íntegra

Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Consumismo infantil: vamos dar um basta

Recebi o link do trailler do documentário Criança, a alma do negócio, de Estela Renner e Marcos Nisti, por meio da newsletter da Alana. O filme fala do comportamento consumista das crianças, que passaram a ser tratadas como mero público-alvo que tem gerado grandes lucros às empresas.
Segundo estudo da FEA-USP de 2006, publicado no suplemento “Sua Empresa” do Jornal o Estado de São Paulo, o mercado infantil movimenta R$ 50 bilhões e cresce 14% ao ano, no Brasil. Ainda de acordo com o estudo, esse crescimento é o dobro do verificado nos segmentos voltados para adultos.

Para reverter este cenário é preciso sensibilizarmos e conscientizarmos os adultos de hoje. E o filme é uma das maneiras. Ajudem a divulgá-lo!

Clique aqui para assistir ao trailler disponibilizado no youtube