quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Se relacionando com o NOVO

Na sociedade consumista, a palavra NOVO tem um grande poder. Tudo o que ela acompanha passa a ser objeto de desejo, pois o NOVO representa - mesmo que apenas simbolicamente - algo diferente, coisa que talvez não se tenha experimentado ainda. Mesmo o que é antigo pode ser encarado como NOVO, basta que um pequeno detalhe seja modificado, para acompanhar a moda, ou como se diz, a tendência, pois, muitas vezes, o NOVO nada mais é que sinônimo de mais do mesmo. Mas não importa: possuir o NOVO, em tempos modernos, significa estar antenado, ser um homem de sucesso e não estar excluído da sociedade, mesmo que esta seja uma pseudo-inclusão.

O NOVO é estratégia para a comercialização dos produtos que, cada vez mais, têm seu ciclo de vida encurtado, pois é preciso renovar continuadamente para que se possa acompanhar as mudanças do mercado. Uma das grandes paixões dos brasileiros, o automóvel, é um exemplo que serve para ilustrar o uso exagerado do conceito de NOVO. Nem havíamos chegado ao meio de 2008 e já era possível encontrar na mídia a publicidade dos novos modelos 2009 - mesmo que esse NOVO se concretizasse, de fato, apenas num friso diferente do pára-choques.

E quanto mais modelos novos surgem, mais rápido passa a ser o descarte do que se tem, pois a partir do momento em que se toma ciência do lançamento de um novo modelo de determinado produto que está no mercado, a impressão que se tem é que seu antecessor passa a não mais cumprir seu papel. E pode acontecer mesmo de não cumprir, mais do ponto de vista psicológico do que funcional.

O problema é que não se nota a mesma ânsia empregada no relacionamento com os objetos, essa vontade de se relacionar com o NOVO, quando em relação ao próprio indivíduo, seus pensamentos e atitudes. Neste quesito, gostamos mesmo é do velho ser que habita em nós. E não são raras as vezes em que se ouve: “Sou assim mesmo, não vou mudar”, postura, no mínimo, lamentável. Por que não transportar a vontade de gozar do NOVO modelo de produto para a possibilidade de desfrutar de um novo modelo de indivíduo? E neste caso, o NOVO precisa ir além da embalagem, do puxa aqui, aspira ali, ou dos tão desejosos MLs que se pode acrescentar – para o “bem” da aparência. O upgrade pessoal também precisa ultrapassar as matérias do intelecto - quando chegam até elas - com pós disso e daquilo, línguas, cursos de extensão, aperfeiçoamento e tal - pois o NOVO, aquele que se refere à reinvenção do próprio indivíduo, é carente de novas atitudes, formas outras de se relacionar consigo e, consequentemente, com os outros.

Então, neste final de ano - época que talvez seja mais propícia para as reflexões -, nada de trocar apenas aquele “friso lateral”. O fundamental, nesse processo de transformação, começa com a vontade de conquistar um NOVO modelo de pessoa, mais fraterno, amigo, capaz de se amar e de amar as outras pessoas com quem convive, respeitando-as e respeitando-se e, acima de tudo, deixando a paz fazer parte de suas ações.

E sobre o NOVO no consumo, o que fazer, a saída seria não comprar mais nada? Não, essa não-necessidade talvez seja utopia, pelo menos no sistema vigente. Mas é possível adotar práticas de consumo mais conscientes: aproveitar alimentos, consertar roupas e sapatos, comprar menos brinquedos para filhos, netos e afilhados e, quando o fizer, propor, por, exemplo, que a criança doe um para ganhar outro. No supermercado, vale se perguntar se aquilo que está vendo e que despertou um desejo momentâneo é realmente necessário naquele momento. Enfim, é possível renovar a forma de enxergar o mundo e, mais do que isso, sua atuação nele.

Adotar uma NOVA postura, uma NOVA forma de se relacionar é mais difícil do que consumir parcelando no cartão. É preciso atitude, força de vontade, disciplina para poder deixar aflorar um sujeito que saiba respeitar e amar mais a si, os outros e os lugares por onde passar.

E então, disposto a conquistar esse NOVO sujeito?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Manual para Boas Festas Sem Consumismo

A CCFC - Campaign for a Commercial-Free Childhood – criou o Manual Para Boas Festas Sem Consumismo, que está disponível no site da Alana. O material é composto de dicas de ativistas e autores de livros que trabalham principalmente a temática infância e consumismo. Um dos depoimentos é de Susan Linn, co-fundadora da CCFC e autora do livro Crianças do Consumo: a infância roubada, entre outras obras.

O manual é de rápida leitura, pois tem apenas seis páginas. Confira as dicas.

Se você também tem uma dica para um Natal sem consumismo, deixa um recado aqui na Caixa Registradora.

Fonte: Alana

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O Eatertainment: alimentando as crianças na sociedade de consumo

Artigo de Pablo José Assolini publicado no livro Comunicação Mercadológica: uma visão multidisciplinar, organizado pelo prof. Dr. Daniel dos Santos Galindo. O texto faz uma abordagem sobre as mudanças que contribuíram para a configuração do comportamento da sociedade contemporânea, principalmente no que se refere à inserção da criança na cultura do consumo.

O mercado tem utilizado o público infantil para fisgar os adultos de hoje e preparar os consumidores de amanhã. Por meio do eatertainment - conceito utilizado pela indústria de alimentos, que associa alimento à diversão – brindes, publicidades e outras ações mercadológicas são usadas para persuadir as crianças. Para ilustrar o texto, foi utilizado o caso da rede americana de fast-food McDonald’s.

O artigo também está publicado no site da Alana.

Leia o texto na íntegra

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Consumismo infantil: vamos dar um basta

Recebi o link do trailler do documentário Criança, a alma do negócio, de Estela Renner e Marcos Nisti, por meio da newsletter da Alana. O filme fala do comportamento consumista das crianças, que passaram a ser tratadas como mero público-alvo que tem gerado grandes lucros às empresas.
Segundo estudo da FEA-USP de 2006, publicado no suplemento “Sua Empresa” do Jornal o Estado de São Paulo, o mercado infantil movimenta R$ 50 bilhões e cresce 14% ao ano, no Brasil. Ainda de acordo com o estudo, esse crescimento é o dobro do verificado nos segmentos voltados para adultos.

Para reverter este cenário é preciso sensibilizarmos e conscientizarmos os adultos de hoje. E o filme é uma das maneiras. Ajudem a divulgá-lo!

Clique aqui para assistir ao trailler disponibilizado no youtube

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Alimentação infantil: ajude a mudar

A PRO TESTE está promovendo uma grande campanha para melhorar a qualidade da alimentação das crianças e conta com a nossa participação. Eu já assinei a petição. Faça a sua parte, assine também!

Alimentos que colocam em risco a saúde das crianças são comercializados hoje sem qualquer fiscalização no Brasil, pois não existem normas que estabeleçam limites para o uso de aditivos, açúcar e gordura pela indústria alimentícia.

Por isso, a PRO TESTE criou uma petição online que você pode assinar, até o dia 15/11, contribuindo para elaborar uma lei que mude nossa realidade. Em seguida, o projeto de lei específico de alimentação para crianças será encaminhado ao Governo com o abaixo-assinado.

Má alimentação
Um bom exemplo de como as crianças podem ser prejudicadas em sua saúde seria a ingestão de dois biscoitos recheados e um potinho de petit suisse. Ambos equivalem a, respectivamente, 6,5% e 27% do que uma criança da faixa etária de 4 a 7 anos necessita diariamente de açúcar. Outro exemplo seria o consumo de uma fatia de bolo pronto, que equivale a 50% das necessidades diárias de gordura dessas crianças.

O que a nova lei deve exigir?
* Produtos destinados ao público infantil não podem conter gordura trans.
* Limitação de açúcar e gordura presente nos alimentos.
* Corantes artificiais não devem ser utilizados.
* Proibição de conservantes como o benzoato de sódio

Assine a petição

Assista abaixo ao vídeo sobre alimentação não saudável para crianças

video

Fonte: Associação Pro Teste Consumidores

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Conselho Federal de Psicologia dá sua contribuição à luta contra o consumismo infantil

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) acaba de disponibilizar uma cartilha redigida pelo professor Yves de La Taille, da USP, estudioso da área de crianças e adolescentes e também membro do Conselho Consultivo do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana.

O documento, batizado de “Contribuição da Psicologia para o fim da Publicidade Dirigida à Criança”, conclui que há uma disparidade na compreensão de informações entre crianças e adultos. Além de menor experiência de vida e acúmulo de conhecimentos, a criança ainda não possui a sofisticação intelectual para avaliar criticamente os discursos utilizados pelo universo da comunicação mercadológica.

Em um dos trechos, Yves de La Taille também questiona o principal fim da publicidade: “Devemos nos perguntar, do ponto de vista moral, qual o seu fim, o seu objetivo? Beneficiar a quem a assiste? Ou beneficiar a quem produz e vende o produto? Creio não ser preciso responder a essa pergunta.”

Veja documento na íntegra

Fonte:
Instituto ALana
POL – Psicologia online

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Artigo - Revistas customizadas como estratégia de comunicação do setor de varejo

Resumo - Este trabalho é parte de uma pesquisa que aborda a estratégia de comunicação por conteúdo adotada por duas organizações do setor de varejo de alimentos: COOP e CompreBem. Os objetos de estudo são as duas revistas que levam os nomes das marcas e que são distribuídas nas unidades de ambas as redes. Nosso objetivo é mostrar que, por meio dessas publicações, as duas organizações estabelecem um trabalho de relacionamento com os clientes e de fortalecimento de marca.

Atualmente, as organizações têm procurado formas cada vez mais diferenciadas para comunicar-se com seus públicos, já que tradicionais técnicas publicitárias apresentam, atualmente, dificuldades em atingir consumidores e prospetcs, que estão cada vez mais seletivos.
Desta forma, as revistas customizadas pretendem estabelecer contato mais íntimo, dinâmico e direto junto a públicos segmentados, diminuindo assim a dispersão da comunicação publicitária inserida tradicionalmente na grande mídia.

Compreender o mecanismo de funcionamento das revistas supra citadas, bem como analisar esta importante ferramenta de comunicação no ponto de venda, é o objetivo do presente trabalho.

Leia o artigo na íntegra

Copyright 2008 - Todos os direitos reservados

Artigo - Sociedade de Consumo: uma abordagem histórica da pré à pós-modernidade

Resumo - O presente trabalho objetiva fazer uma abordagem histórica do comportamento de consumo da pré-modernidade - que compreende a era agrícola - até a pós-modernidade - a sociedade da informação. A partir de uma desconstrução dessas fases de desenvolvimento, passando, inclusive, pela revolução industrial, pretende-se mostrar que o comportamento de consumo da sociedade está bastante relacionado com as condições sociais e econômicas de cada período, consolidando-se num processo bastante complexo.

Leia o artigo na íntegra

Copyright Pablo José Assolini 2008 - Todos os direitos reservados

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Os modelos

É natural a busca por referências. É um meio de projetar o que se quer alcançar. Talvez uma maneira de tornar real algo ainda não realizado, que mora nos devaneios, uma forma de facilitar a idealização do que se pretende, embora muitas vezes, nos tornamos modelos sem saber muito bem de quem ou de que. E nos pegamos fazendo ou dizendo coisas que não defendemos e, pior, que abolimos. E quando essa percepção ocorre, por incrível que pareça, pode ser considerada uma evolução, pois há sujeitos que passam a vida inteira sem ter a consciência do que está praticando e, conseqüentemente, do que está deixando para outras gerações.

É importante pensarmos, como diz o filósofo e educador Mario Sérgio Cortella, “no que vamos deixar”. Somos modelo de quê? Estamos sendo observados o tempo todo. E quer queria quer não, somos modelos, principalmente para as crianças, que buscam nos adultos uma referência de como agir, de como lidar com as situações. Veja abaixo o vídeo da Child Friendly, ele trata desse assunto.

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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O brilho que vira fardo

Em tempos de consumismo, de trocas insanas de objetos, da ânsia por novidades, Chico César fala na letra da música de sua autoria, que aliás leva o mesmo nome do CD - “De uns tempos pra cá” - sobre essas coisas mundanas que vamos juntando e que possuem certo encantamento até o momento de serem compradas, mas que depois acabam virando coisas pra tropeçar, se tornando fardo pra carregar, como bem diz a letra que pode ser conferida abaixo. O videoclipe também está disponível, logo após a letra da música.













De uns tempos pra cá
os móveis, a geladeira
o fogão, a enceradeira
a pia, o rodo, a pá
coisas que eu quis comprar
deu vontade de vender
e ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

De uns tempos pra cá
o carro, a casa, o som
tv, vídeo, livros, bom...
o que em tese faz um lar
admito eu quis comprar
começo a me arrepender
pra ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

Coisas são só coisas
servem só pra tropeçar
têm seu brilho no começo
mas se viro pelo avesso
são fardo pra carregar

De uns tempos pra cá
o pufe, a escrivaninha
sabe a mesa da cozinha?
lençóis, louça e o sofá
não precisa se alterar
pensei em me desfazer
pra ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

De uns tempos pra cá
telefone, bicicleta
minhas saídas mais secretas
tô pensando em deixar
dê no que tiver que dar
seu amor me basta ter
pra ficar só com você
isso de uns tempos pra cá

Coisas são só coisas
servem só pra tropeçar
têm seu brilho no começo
mas se viro pelo avesso
são fardo pra carregar

video

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A moda eco das vitrines

O Mundo do Marketing publicou recentemente matéria que tratava da opinião dos consumidores da América Latina sobre o posicionamento “verde” das empresas. O estudo feito pela TNS InterScience revelou, entre outras coisas, que 25% dos entrevistados na pesquisa consideram o conceito verde “cool” e estão propensos a pagar mais caro por marcas que demonstram preocupações ambientais.

Essa postura fica evidente nas vitrines dos shoppings. Cada vez mais cresce o número de grifes que se utilizam da “consciência verde” para persuadir seu público. Até acredito que algumas empresas tenham uma real preocupação com o meio ambiente, mas deve ser minoria. A indústria, de forma geral, se utiliza dessa estratégia simplesmente para vender mais, para parecer politicamente correta. Assim, as ações são pensadas em termos de resultado, de exposição e de associação da marca. Pensar em sustentabilidade, em meio ambiente, em responsabilidade social e ambiental - temas que deveriam ser quesitos obrigatórios em quaisquer atividades hoje - significam valor agregado, ou seja, são usados como diferencial, o que por si só já é um absurdo. E essa atitude é muito natural, como se as empresas e indivíduos, ao adotarem um comportamento desses, estivessem fazendo um favor para o restante da população. Ora, já é tempo de pararmos com oportunismos. Precisamos acordar para o verdadeiro sentido da vida.

Nada contra as empresas se engajarem nesta onda. A dúvida que fica é se há uma preocupação real ou não com a causa. Por exemplo, por que os produtos ditos ecológicos são geralmente mais caros, ou seja, pesam mais no bolso do consumidor? Deveria haver algum mecanismo que os tornassem mais baratos. Talvez sejam mais caros por serem tão apreciados pela marca que carregam e a imagem que proporcionam. Outro ponto é a questão da moda retratada na pesquisa. Há ocasiões em que o indivíduo compra determinado produto eco para ser visto como um cara consciente. Faz parte da criação do “eu ideal para o outro”, uma das dimensões que as teorias do comportamento do consumidor chamam de “autoconceito” (Beatriz Santos Sâmara e Marco Aurélio Morsch). Assim, não importa se o seu comportamento no cotidiano não é nada ecológico. O que vale é “parecer ser”, até porque é bem mais fácil pra quem pode pagar usar aquela embalagem politicamente correta, mesmo que seja em um corpinho nefasto.

Também me pergunto se as pessoas que fornecem matéria-prima para as empresas ditas ecologicamente responsáveis ou que confeccionam seus produtos são tratadas por estas grifes com o mínimo de dignidade humana. Ou será que simplesmente são exploradas, muitas vezes de forma maquiada? Estarão trabalhando em condições inadequadas e até miseráveis para, sem ter ciência, aumentar a riqueza das grandes corporações que comercializam seus produtos para países que muitas delas nunca saberão nem sequer pronunciar os nomes? Será que essa preocupação não existe porque essas pessoas não ficam expostas nas vitrines dessas lojas e, por isso, tanto faz a responsabilidade que a empresa tem com elas? Ao que parece, não há uma grande preocupação, nem das empresas e nem dos consumidores, com a situação dos que confeccionam determinado produto. O importante, então, é a etiqueta 100% reciclada e os grandes investimentos em marketing, pois estes, sim, refletem nas vendas?

Espero que eu esteja enganado, que essa não seja a lógica. Porque, se assim for, qual o sentido desses produtos, além massagear o ego de quem compra e o bolso de quem vende? Que bem ao planeta proporcionam? Ou será que o homem já não faz mais parte dele e, por isso, deve ser ignorado? Como o importante é a embalagem e a cara do produto, talvez as grifes pudessem promover uma mudança no que expõem. Em vez dos produtos, que mostrem os processos de captação de matéria-prima, as etapas de produção, as condições de vida daqueles que produzem, seus empregados, se é que podemos chamá-los assim. É preciso que a moda eco não seja apenas a da vitrine, mas que possa integrar a vida das pessoas. De todas.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Saudade consumida

Quando o filósofo Jean Baudrillard diz que vivemos o tempo dos objetos, ele fala da era do descarte, de um tempo, nas palavras do autor, “que vemos os objetos nascerem e morrerem”. E isso é fato, se antes os objetos duravam anos e anos, muitos passavam por gerações, hoje o “apego material” é menor, até porque a durabilidade dos bens também foi sendo reduzida, entre outras coisas, para funcionar como uma das justificativas dessa troca permanente.

E todos esses objetos consumidos de uns tempos pra cá foram caindo no esquecimento, assim que um outro modelo mais moderno entrava na moda. Porém, esse descarte não era puro e simplesmente do objeto em si. Junto a ele estavam muitos momentos vividos pelo indivíduo (bons, ruins, divertidos, frustrantes, enfim, momentos carregados de emoções, de valores, saudades e vontades). Talvez seja na tentativa de resgatar muito do que ficou pra trás é que a moda retrô hoje esteja em alta e o velho como sinônimo de antiquado, de coisa ultrapassada, esteja passando a ser visto e sentido por um outro ângulo, o da história, das experiências vivenciadas, como bem diz Rubem Alves (embora o autor trate de pessoas, não de objetos).

Como eu, você já deve ter recebido aqueles e-mails do tipo “matando a saudade”, que mostram brinquedos, seriados de tevê, doces, refrigerantes e tantas outras coisas que fizeram parte da infância e adolescência dos adultos de hoje. Outro dia recebi um que, entre tantas coisas, tinha um estojo de canetinhas coloridas. Aí me lembrei de quando usava daquelas para pintar meus desenhos. Gostei, pois me fez voltar ao passado.

Por outro lado, o tal e-mail também me fez pensar em outra coisa. Será que nossa história, ou o que nos faz lembrar dos bons momentos já vividos está sempre relacionado a objetos? Porque é somente isso que trazem esses e-mails, lembranças por meio de objetos. É engraçado e ao mesmo tempo triste. Será possível mudar essa realidade? Talvez e-mails que despertem as boas lembranças por meio de outros conteúdos que não sejam signos de consumismo. E os bons momentos que passamos na escola? Aquele café da tarde de domingo na casa da avó, com os primos, primas e tios? Dos bate-papos com a mãe? Das várias noites olhando o céu estrelado com amigos na tentativa sempre frustrada de ver um disco voador ou de lembrar do quanto era gostoso poder colher uma fruta no pé, na chácara do avô, e de chupá-la ali mesmo, na terra, sem a preocupação de sujar o chão? Dos doces da sogra, desde já eternizados? Enfim, de uma porção de momentos que ficaram e ficam, embora muitas vezes esquecidos nos HDs humanos sempre tão carregados dos afazeres do cotidiano.

Não que os objetos não tenham sua importância, mas a impressão que fica é que são eles os protagonistas. Tudo se resume no comprar, no ter. Estamos sempre intermediados por eles, os objetos. Até quando será assim? Precisamos tentar mudar um pouco isso, fazer com que as novas gerações tenham consciência de que o mundo não se resume num amontoado de chips e de especuladores financeiros. É preciso o resgate dos reais valores, da humanização das relações, de percebemos, como diz a jornalista Rita Trevisan, de que o mais importante são as pessoas.

crédito foto: revelando.blogspot.com

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Voando alto, e não só!

O segundo Fórum Internacional Criança e Consumo, realizado
pelo Instituto Alana, entre 23 e 25 de setembro, em São Paulo, foi fundamental para o avanço das discussões em torno do consumismo que já faz parte da vida das crianças.

As palestras e debates foram além da idéia simplista de que a propaganda é a grande vilã que insere os pequenos desde muito cedo na cultura consumista. O tema foi tratado de diversos ângulos e sob uma abordagem multidisciplinar, como de fato deve ser feito quando se quer realmente trabalhar para transformar o comportamento da sociedade contemporânea.

É claro que há muita publicidade abusiva e que ela está relacionada com a moda do descarte que temos hoje, “da ânsia pelo novo”, como diz o filósofo Gilles Lipovetsky. A publicidade é a fratura exposta dentre os fatores que compõem a problemática do consumismo, é a que põe a cara a tapa, poderíamos dizer. Ela precisa ser tratada, pois da forma como se apresenta hoje não contribui para a formação de indivíduos mais humanistas, críticos e realizados, ao contrário, faz com que as pessoas não caminhem para encontrar a tão sonhada felicidade, mas que vivam numa eterna busca por ela, na qual o prazer não está nem mais no desfrute dos objetos, mas no simples gozo do ato da compra.

E o Fórum levou em conta esses fatores. A questão levantada pelo prof. Mario Sergio Cortella de “que filhos deixaremos para o mundo?” pode ser a questão mais importante. Ficou claro que devemos trabalhar a educação tanto das crianças como a dos pais, dos professores, empresários e profissionais de comunicação. É preciso que ações sejam postas em prática para que se possa transmitir valores outros para a sociedade, que também não tem culpa, de certo modo, de suas atitudes. Atualmente, dentro do sistema e dos valores vigentes, para ser bem sucedido, para ser bacana e fazer parte da turma, é preciso mostrar seus troféus. Como bem lembrou o psicólogo Yves de La Taille, há uma inversão de valores. A propaganda daquele lindo carro de luxo que diz que “quem tem fez por merecer”, deixa bem claro isso. O que seria de fato esse merecer?

É preciso também que as atitudes não estejam apenas no campo das punições, das ações judiciais. Elas têm sua importância e necessidade, mas é necessário que as pessoas sejam conscientizadas, que o poder público e as organizações não governamentais possam ter ações que mostrem que uma outra realidade é possível de ser construída.

Na mesma semana em que se discutia no Fórum alternativas para o consumismo do público infantil, o suplemento “sua empresa”, de 24 de setembro, do Jornal Estado de São Paulo, incentivava empresários a voltar seus negócios – produtos e serviços – às crianças, pois elas representam um mercado promissor. A capa estampava o título “Cofrinho Abonado”, seguido da seguinte chamada: “O mercado infantil movimenta R$ 50 bi e cresce 14% ao ano. É uma oportunidade para quem quer investir”.

Fica claro, a partir de iniciativas como essa, que o caminho a ser percorrido não é dos mais fáceis, afinal, há interesses e lobbys fortíssimos que contam com a alienação das pessoas e a falta de discernimento de crianças para estimular um consumo cada vez mais desenfreado.

Porém, o simples fato de participar do 2ª Fórum Internacional Criança e Consumo e perceber o interesse das pessoas em debater o tema, com auditório completamente lotado, já dá uma certa “sensação de tranqüilidade”. Como disse o professor José Eduardo Romão, é a agradável sensação de saber que não estamos sós.

Ainda refletindo sobre o Fórum, me lembrei do filme “Fernão Capelo Gaivota” e da célebre “Caverna de Platão”. O alívio que sinto é o de perceber que não sou o único a desejar voar mais alto para alcançar outros horizontes, de um mundo real que pode ser muito melhor do que o cenário que temos hoje.

Este texto também está publicado no site da Alana. Acesse

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

E-paper: será o início do fim do papel?

Outro dia escrevi aqui que a Apple precisava ficar atenta na dieta do Macbook Air. Bom, já está na hora de Steve Jobs pensar numa lipo para o computador portátil - ainda o mais fino do mercado - pois está ficando rechonchudo perto dos aparatos tecnológicos que vem surgindo por aí.

Desta vez a novidade é um leitor de conteúdos feito de plástico, pela empresa Plastic Logic. O produto é bem fino e resistente, bem mais que o tradicional LCD que equipa a maioria dos notes, como mostra filme de demonstração, que vale a pena ser visto.
A tecnologia desse e-paper permite fazer anotações a punho ou por meio de um teclado, para quem já perdeu a prática de escrever à mão. A bateria é medida em dias, em vez de horas, ou seja, é superdurável. Fica para a Plastic Logic a missão de pensar em uma versão colorida (essa é monocromática).

Será o início do fim do papel?

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Wall-E: a sociedade pós-consumo

Quem ainda não assistiu ao filme Wall-E vale a pena pagar pra ver. A animação da Disney com a Pixar apesar de estar na categoria infantil, é história pra gente grande refletir.

De forma singela e bem simpática, Wall-E faz uma crítica à sociedade consumista contemporânea, que vive a era do descarte, da ânsia pelo novo. No filme, os humanos foram extintos da Terra após o apocalipse e passam a viver em uma grande nave, longe do planeta Terra, onde tudo é automatizado. O robô que leva o nome do filme tem o papel de limpar todo o lixo deixado pelos humanos.

Na nova casa, os humanos não se exercitam pra nada. São obesos e estão sempre sentados em suas poltronas, se “divertindo” com a programação passada nas grandes telas. E não há interação entre os moradores da nave. Um não conversa com o outro. Todo o serviço é executado por robôs.

Em uma das cenas, um dos moradores da nave cai da poltrona e não consegue se levantar sozinho, lembrando a figura de um grande besouro com as pernas viradas pra cima. Aliás, nem andar as pessoas sabem, pois só aprenderam a ficar sentadas apertando os botões dos controles remotos.
Só espero que tal ficção não se torne realidade um dia!
Assista ao trailer

Mudança de hábito: o consumo voltado ao público infantil

A Revista Carta Capital traz na seção Diálogos texto de Thomaz Wood Jr. que fala do consumo voltado ao público infantil, das propagandas abusivas e do grande tempo em que os pequenos ficam à frente da tevê. Intitulado Cavernistas, Wood também faz uma crítica aos publicitários, que segundo o autor, parecem viver em um mundo fora da realidade, “na célebre Caverna de Platão”, afirma.

De fato, a tevê e outros aparatos tecnológicos, como a internet e o videogame, têm sido os grandes companheiros e “educadores” das crianças da sociedade contemporânea. A publicidade, sem dúvida, já descobriu isso e também que os pequenos são presa fácil, principalmente aqueles em idade que ainda não conseguem distinguir uma propaganda de um programa de tevê (até 4 anos). Tenho observado que a televisão brasileira reforça o consumismo também no público infantil. Porém, não acredito que uma simples proibição, como a que se quer colocar por meio da aprovação do substituto do projeto de lei 5.921/2001 , venha ajudar a formar cidadãos mais conscientes, inclusive do ponto de vista do consumo. É claro que tudo tem limites e que há muito conteúdo eletrônico abusivo, muitos publicitários na caverna, como bem disse Wood, mas também, que há muitos pais, mães, empresários e professores vivendo nesse mundo paralelo, alimentado por um sistema viciado no consumismo.

A realidade é que essas crianças, mais cedo ou mais tarde, serão inseridas na cultura de consumo e, se não tiverem sido educadas para um consumo consciente, para um “ser” mais do que “ter”, serão os adultos consumistas, angustiados e estressados de hoje, que usam o consumo como escape, numa eterna busca pela felicidade.

É preciso que haja limites, principalmente quando o assunto envolve crianças. Mas acredito que o fundamental seja a mudança de comportamento da sociedade, que as famílias consigam dar mais atenção a seus filhos e que terceirizem menos a educação, o amor e a atenção aos pequenos e que tanto o governo quanto as ONGs, intensifiquem ações que visem despertar essa consciência crítica para que se consiga mostrar que uma outra realidade é possível de ser construída. Isso de fato é mais complicado, mas precisamos parar de querer remediar, de buscar pseudo-soluções simplistas para problemas complexos, como esse que envolve a cultura do consumismo de uma sociedade que é estimulada, e não só pela publicidade, a viver "intensamente o prazer" do descarte.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Balada Sustentável

Em épocas de cultura eco, o CLub4Climate, em Londres, criou uma pista de dança com tecnologia que usa cristais de quartzo e cerâmicas para transformar o movimento dos freqüentadores em eletricidade. A pista gera 60% da energia necessária para movimentar a casa. Os 40% restantes são gerados por meio de turbinas eólicas. E quando há excesso de energia ela é utilizada em casas próximas ao clube.

Quem sabe a moda pega por aqui e acaba transformando os pisos dos tão freqüentados shoppings em pisos sustentáveis? E as passarelas de moda, então? Os São Paulo Fashion Week da vida? Também poderiam adotar a tecnologia.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A moda das leis secas

No Brasil é costume se falar que tal lei pegou ou não pegou. Pois a moda agora são as leis secas. A das bebidas alcoólicas já está em vigor, e parece que pegou. Nada contra. Estar na direção requer muita responsabilidade. Porém, a mais nova das secas é a tal lei seca do cigarro, como já vem sendo chamada pelos meios de comunicação. Ainda não foi aprovada, é um projeto de lei do governador de São Paulo.

A proposta proíbe o cigarro em todos os estabelecimentos, inclusive bares, restaurantes e casas noturnas. O projeto também prevê o fim dos fumódromos em áreas públicas ou particulares, como em empresas. Se for aprovada na Assembléia Legislativa, o estabelecimento que descumprir a lei poderá pagar multa de até R$ 3,2 milhões. Já o fumante, se insistir em permanecer no local com o cigarro aceso, poderá ser retirado do estabelecimento com auxílio da força policial.

Nessa onda da restrição, sempre é o cidadão, que trabalha muito e paga impostos pacas, quem tem de se privar de seus gostos e vícios. Não quero discutir se o cigarro, no caso, faz mais ou menos mal que tantas outras coisas, tanto do ponto de vista físico como do psicológico. Mas o que mais me deixa indignado é que o indivíduo está ficando cada vez mais encurralado.

Aqui no Brasil, os deveres são bem maiores que os direitos (e que direitos, se é preciso pagar por tudo para se ter acesso?). Não acredito que a restrição seja uma boa solução para resolver também os problemas com cigarro. Até porque, pelo que propõe o projeto, os magnatas poderão continuar desfrutando de seus belos charutos cubanos nos Clubes de Charuto, que ficaram fora da proposta. E a comparação usada, para dizer que a restrição funciona, é com países como Canadá, Inglaterra e Austrália, como disse para um jornal uma conselheira da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas. A única diferença entre esses países e o nosso é que, lá fora, os cidadãos têm qualidade de vida de verdade: educação, saúde, moradia e condições de trabalho bem melhores do que a que temos por aqui.

Com tantos malabarismos que o cidadão brasileiro tem que fazer para continuar sobrevivendo, agora terá de se privar também de seu trago. Até a polícia poderá ser utilizada para a fiscalização! O que só pode ser uma boa piada. Serão os caça-fumaça? Ora, não quero fazer apologia ao fumo, até porque acredito que fumantes e não fumantes têm direitos iguais. Mas talvez, se o projeto desse uma alternativa para os estabelecimentos criarem áreas isoladas e com sistema de exaustão adequado, onde se pudesse fumar, ele fosse mais democrático.

Também acredito que os políticos no poder poderiam criar algumas outras leis secas, que seriam certamente benéficas à população. A lei seca da corrupção, da falta de ética, da alta carga tributária... Essas sim fariam bem não só para o pulmão, mas para todo corpo e mente do cidadão, pois poderiam proporcionar mais qualidade de vida para todas as pessoas, fumantes ou não.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A era do acesso: compartilhando os objetos para um consumo mais consciente

Em tempos de hipermodernidade, como diz Gilles Lipovetsky em “Tempos Hipermodernos” (2004), compartilhar talvez seja uma dádiva. Os costumes da contemporaneidade acabam deixando os indivíduos cada vez mais egoístas, mais individuais, mais competitivos, porém não menos frágeis.

A sede de posse é grande. Quanto mais acúmulo de bens, mais bem visto é o homem, que trabalha, estuda, corre pra cá e pra lá “precisando” ganhar cada vez mais para suprir suas necessidades, sejam elas físicas e ou psicológicas. É a casa de campo, de praia, moto, lancha, carros ... É a comodidade, o lazer (com ou sem ócio, esse último ainda mais provável), o desfrutar das delícias desse mundo de carne e osso. Ótimo, quase perfeito, se desse tempo para usufruir de tudo isso. Bom, pelo menos a sensação de ter (do isso tudo é meu) ainda pode ser uma grande satisfação. Mas e o custo-benefício, se deixarmos de lado os aspectos psicológicos do ser? Com as aquisições, as contas vão aumentando e, com elas, o seu compromisso de trabalhar mais para poder quitá-las. (Adeus tão sonhado ócio). E o custo de todos esses bens parados, sem uso? Será inteligente do ponto de vista financeiro, ambiental e social?

Muito se diz do tal desapego que devemos ter dos bens materiais. Coisa difícil, né (pelo menos pra mim). A sociedade contemporânea até quem tem mostrado seu lado inteligente e de certa forma socializador, mesmo que seja pensando mais em economia financeira do que no compartilhar de fato. Em seu livro “A Era do Acesso” (2000), Jeremy Rifkin, fala de uma sociedade que não precisa ser dona de nada, mas que pode ter acesso a tudo. “O acesso just-in-time de bens e serviços é a tendência do futuro. Cada vez mais pagaremos para utilizar coisas em vez de sermos os proprietários”, afirma o autor. Nesta lógica, não deixaríamos de utilizar a casa de campo, a de praia... Digamos que poderíamos chamar isso de um socialismo capitalista, no qual muitos objetos podem ter mais de um dono, ao mesmo tempo em que ninguém é dono de nada. Paga-se pelo uso. Assim, divide-se bônus e ônus.

Já tem muita gente praticando o compartilhamento dos objetos. Nos países desenvolvidos já acontece em maior escala. No Brasil também existe e a tendência é crescer. São escritórios com estrutura enxuta em que diversas pessoas jurídicas utilizam a mesma sala de reunião, equipamentos, secretária etc. Na Califórnia - EUA - há carros compartilhados. O indivíduo paga uma taxa por mês. Os carros ficam disponibilizados em vários lugares. A pessoa pode pegar em um ponto e deixá-lo em outro local.

E a era do acesso também está nos céus. A novidade, pelo menos pra mim, foi a de ver no jornal Diário do Grande ABC, de 18 de agosto, matéria falando sobre helicópteros compartilhados. É claro que mesmo dividindo em grupo (cerca de 10 pessoas) custa muito para a maioria dos mortais, mas é a idéia em si que é boa e precisa ser ampliada e divulgada. Além de ter um preço altíssimo, os mais baratos por volta de R$ 1 milhão, ter uma máquina dessas parada, mesmo pra quem pode, significa prejuízo. Então, porque não compartilhar?

Segundo a reportagem, o Brasil tem 200 pessoas que utilizam esse sistema, que já existe há sete anos. Paga-se 10% do valor da aeronave como cota e R$ 11 mil mensais para manutenção do aparelho e custos de vôo, como combustível, piloto, entre outros. Espero que essa filosofia, a da era do acesso, continue a se multiplicar. É bom para os indivíduos, é bom para o planeta também, mas claro, ainda longe dos ideais de ambientalistas e socialistas. Mas no tempo em que vivemos, essas notícias são animadoras, pois mostram que há alternativas à forma atual de nos relacionarmos com os objetos, criando, pelo menos, uma cultura de consumo mais consciente.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Multitarefas: a vida through the screen

Matéria da Veja de 6 de agosto trata das chamadas crianças multitarefas. Falar no celular, escutar música, bater papo no MSN, jogar videogame e ainda dar uma espiada na programação da TV são algumas das coisas que essa nova geração faz de uma só vez.

Bom ou ruim, não sei dizer. Mas uma coisa é certa: a tecnologia não é a grande causa desse comportamento. É fato que ela está inserida no universo do público infantil. Para as crianças da sociedade moderna, o mundo é through the screen. A vida dos multitarefa é intermediada por telas. Até livro já se lê em posição vertical, por causa do hábito de olhar para o monitor do computador.

Mas e daí? O que isso significa, além da adpatação aos meios, coisa que não é exclusividade dessa geração? A sociedade muda constantemente, e ainda bem que isso acontece. São avanços, retrocessos, mas que significam novas experiências. Os especialistas ouvidos por Veja disseram que será necessário uma ou duas gerações para saber se o impacto desse fenômeno é positivo ou não. Um deles, professor de conceituado colégio de São Paulo, já percebeu uma coisa: “As crianças processam rapidamente um número maior de informações, mas num nível superficial. Ir fundo no assunto é difícil pra elas”.

Hoje, o que vale mais é a quantidade. Vivemos no que a revista Wired chama de snack culture (cultura aos pedaços). Somos ansiosos pelo novo. Queremos um pouquinho de tudo, somos incentivados a isso. E é gostoso, mas não menos perigoso, tudo depende do ponto de vista. E viva o mundo da baixa resolução, de vídeos por celular e do second life! A quantidade de informação não pára de aumentar. Já a qualidade, é mais discutível... ou não.

Voltando à Revista, o que mais causou espanto na matéria foram os relatos das mães que participaram da reportagem. Elas ficaram assustadas com o comportamento dos filhos, de darem atenção para duas, três, quatro, até cinco coisas diferentes ao mesmo tempo. Isso mostrou que essas mães dão pouca atenção aos filhos, não têm muita convivência com eles, pois mal sabiam o que estavam fazendo em casa.

Esse talvez seja um problema, e, de certa forma, também não é culpa delas, pois estão inseridas na lógica do mercado. Para manter os costumes da vida moderna é preciso de dinheiro, o que, na maioria das vezes, significa mais trabalho. Assim, os pais terceirizaram a atenção - o convívio que deveriam ter com os filhos - para os aparatos tecnológicos, as novas babás eletrônicas da modernidade. Embora também, dependendo da relação familiar, talvez a criança saia ganhando em não ter os pais muito por perto. E quem gosta disso é o mercado publicitário, que enxerga a criança como presa fácil, "verdadeira trainee do consumo", nas palavras do professor Daniel Galindo.

terça-feira, 29 de julho de 2008

A democracia do standing não esconde a falta de educação

Segundo editorial do jornal Diário do Grande ABC, de 29 de julho de 2008, 20 milhões de brasileiros migraram das classes E e D para a C. Eles são responsáveis por 75% de todo o consumo do país. “Em bairros periféricos e até mesmo em favelas da região é possível encontrar residências estruturadas, recheadas de bens de consumo e serviços da vida moderna, como computador, internet e TV por assinatura”, afirma o texto.

De fato, a população começa a ter acesso a bens de consumo, antes privilégio das elites. E isso não acontece somente nas classes baixas. A classe média também escalou a Pirâmide de Maslow e, agraciada com as linhas de crédito, pôde financiar aquele carrão do sonho em até 80 vezes, ainda que, no final do financiamento, tenha chegado à conclusão de que pagou o equivalente a dois ou até três carros. Na verdade, muita gente pouco se importa com as taxas de juros no momento da compra. O desejo de posse do tão sonhado objeto é maior do que a preocupação financeira.

Não vejo nada de mal em adquirir aquilo que se quer, até porque o brasileiro é um povo que trabalha muito, paga imposto pacas e tem praticamente quase nenhum retorno do poder público. O problema é que essa ascensão de classes é ilusória. É o parecer, mais do que o ser. É a democracia do standing, segundo o filósofo Jean Baudrillard. Para ele, “o princípio democrático acha-se então transferido de uma igualdade real, das capacidades, responsabilidades e possibilidades sociais, da felicidade (no sentido pleno da palavra) para a igualdade diante do objeto e outros signos evidentes do êxito social e da felicidade. É a democracia do standing, a democracia da TV, do automóvel e da instalação estereofônica, democracia aparentemente concreta, mas também inteiramente formal, correspondendo para lá das contradições e desigualdades sociais à democracia formal inscrita na constituição”. Isso significa que o mundo dos objetos, das facilidades, encobre um mundo real de responsabilidades e direitos.

Hoje de manhã, enquanto estava de carro parado num semáforo, aguardando o sinal verde, fui testemunha de uma cena que me fez refletir sobre tudo isso. Dois rapazes muito bem vestidos, com pinta de executivos, em um carro bacana, pegaram um panfleto - daqueles que são distribuídos em tudo quanto é semáforo - e, na maior cara-de-pau, jogaram o papel na rua, pela janela. Na hora, fiquei indignado com a atitude dos dois e me perguntei: como pode? Além do desrespeito com a pessoa que estava entregando o material - pois ninguém é obrigado a aceitar - jogar o papel em via pública é, no mínimo, falta de educação. Naquele momento, a máscara por trás da qual estavam escondidos - carro moderno, gel no cabelo e roupa fina – caiu imediatamente.

Cheguei à conclusão de que a democracia dos objetos – embora festejada por muitos - não dá conta de inserir determinadas pessoas num patamar superior quando o que está em jogo são coisas simples, como o respeito, a gentileza e a educação, que andam meio esquecidas nos tempos modernos. E antes que alguém me acuse de ser preconceituoso, deixo bem claro o seguinte: tudo o que não quero dizer é que pobre é que não tem educação. Pelo contrário, o que noto é que, na maioria dos casos, à proporção que cresce a riqueza material do indivíduo, aumenta seu grau de egoísmo, diminuem as noções de civilidade e de compromisso como cidadão que, além de direitos, tem deveres. E esses deveres vão muito além de simplesmente pagar impostos ou as parcelas de financiamento do seu lindo automóvel.

Envolvimento com a marca em meio aos sabores do vinho

Nas férias de julho eu e minha esposa fomos para a cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, região famosa por seus vinhedos. Fomos fazer um curso de degustação de vinhos na Escola do Vinho Miolo. Não que a gente seja do tipo aspirante a enólogo, o que mais nos motivava, até então, era mesmo saborear o néctar dos deuses. Confesso que ficamos impressionados com o curso, ou melhor, com a ação de branding da vinícola. A começar pelo local, muito bonito, organizado, limpíssimo e agradável. O curso já começa envolvendo o participante em um outro ambiente. Antes de circular pela fábrica, é preciso vestir um avental branco, uma toca e sacar uma taça para a primeira fase das aulas.

Tudo começou com a visita às parreiras, na companhia de um dos enólogos da empresa. Lá, recebemos as explicações sobre o modo de cultivo e diferenças de solo dos locais onde a vinícola produz. Logo depois, fomos para o espaço de produção do vinho, onde recebemos explicações sobre os processos de fermentação e as diferenças entre as produções de tintos, brancos, rosés e espumantes. Conforme o enólogo ia explicando o processo, seguido de experimentação, o envolvimento com a marca Miolo ia aumentando. Cheguei a pensar, naquele momento, que uma garrafa de vinho, daquelas da Miolo, era barata pelo grau de cuidados que o produto exigia.
Em seguida, ouvimos sobre a história e evolução do vinho, as melhores formas de conservação, dicas de serviço e, então, chegou a hora da tão esperada degustação: nada menos que 16 tipos de vinhos dispostos em taças, bem à nossa frente! Nesta última etapa, confesso que não apenas degustei, mas bebi mesmo todos eles – sem descartar nada no local apropriado para isso - pois estava deliciado, não só com a bebida, mas com todo o processo.

Para terminar, recebemos o certificado de participação e ainda fomos convidados a participar de um almoço regado a muito vinho, música italiana e pratos típicos da região. Os alunos também foram agraciados com a informação de que teriam 25% de desconto na compra de qualquer produto da loja da Miolo, localizada dentro da própria vinícola.

Muito além de um curso, com certeza essa foi uma experiência que nos possibilitou grande envolvimento com a marca. É o Marketing Experimental, de Bernd H. Schmitt, na prática. Foi aí que imaginei outras indústrias, principalmente as dos ramos de bebidas e alimentos, investindo em ações do tipo: abrindo suas portas para programas de relacionamento com o consumidor, baseados na experimentação, na vivência com as marcas.

sábado, 5 de julho de 2008

As marcas ainda vão dominar o mundo; e o cartório de registros

- Oi, eu sou Sony da Silva.
- Prazer em conhecê-la. Eu sou Credicard Pereira e esse é meu filho, o Fisher-Price.

Essa apresentação entre duas pessoas ainda soa estranha hoje. Até parece conversa de doido. Mas, daqui a alguns anos, ela tem tudo para virar realidade. Basta olhar à nossa volta.

As marcas estão dominando o mundo. Elas estão por todos os lados, espalhadas, se multiplicando, se apropriando de tudo. Cada vez mais invadem sua privacidade, seus momentos de lazer. É Teatro Abril, Credicard Hall, Espaço Unibanco, HSBC Belas Artes. Títulos de revistas customizadas, então, não param de crescer. É revista da TAM, da Volks, da Nestlé, do Comprebem. E a onda dos customizados também já chegou ao dial, quem diria! A primeira a surgir, pelo menos aqui no Brasil, foi a Rádio SulAmérica Trânsito. A mais recente, a Rádio Mitsubishi, “A Rádio Pra Quem é 4X4”, colocou os nomes dos carros da empresa nos programas musicais. Se você que ouvir música e informação nas manhãs, fique ligado no “Pajero Full in the Morning”. É o mundo das marcas, gente!

Outro tipo de ação, até então desconhecida, foi a que aconteceu em junho. A Bohemia, da Ambev, assumiu a rádio Eldorado por 35 horas, em uma ação que promoveu o novo conceito da marca. Segundo notícia do Portal da Propaganda, a Rádio Eldorado Bohemia teve "programação voltada às histórias de artistas, escritores, cineastas e músicos consagrados pela qualidade dos trabalhos e dedicação, mostrando que, como a cerveja Bohemia, o reconhecimento da excelência do trabalho se dá com o passar dos anos". Neste caso, aliás, não se respeitou o ouvinte, pois o que ele ouviu, mesmo talvez sem ter noção disso, eram programas vinculados aos objetivos comerciais de uma marca de cerveja.

Com a coisa nesse ritmo, não vai levar muito tempo para as marcas batizarem as pessoas. Aliás, já tem gente tatuando a logomarca da empresa em seu próprio corpo. É o caso da Harley-Davidson. Tem muito grandalhão riscando a marca no braço, mas, por enquanto, apenas por uma relação de amor.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

No país do futebol até Presidente da República aparece no lançamento do novo Gol

O Presidente da República foi praticamente garoto propaganda do lançamento do novo Gol da Volks, algo que soa no mínimo esquisito por se tratar de pessoa pública em lançamento de produto comercial - mas isso é assunto pra uma outra ocasião.

Não bastasse isso, em seu discurso Lula disse que a boa fase da indústria automobilística se deve ao próprio setor, que acreditou na estabilidade econômica. “A indústria está batendo recordes todo mês de produção e de vendas. Quanto mais as indústrias crescerem, quanto mais fornecedores tiverem, quanto mais concessionárias abrirem, mais empregos vão gerar. E gerando mais empregos, vão gerar mais salários, vão ter mais consumidores. Mais consumidores, mais empregos e assim passamos a viver um ´ciclo virtuoso`", declarou. Tudo muito lindo mas, ao mesmo tempo em que há um incentivo das empresas, da propaganda e do Presidente para se comprar carros, por outro lado há o discurso de ONGs e de outros setores de que o cidadão consciente é aquele que deixa seu carro na garagem, por causa do trânsito, meio ambiente, bláblábláblá. Não que os argumentos não sejam válidos. Mas quem sempre fica com o abacaxi na mão, angustiado, meio perdido e estressado, é o cidadão. Se a comercialização de veículos é importante, se ela ajuda o desenvolvimento do país, que, aliás, já foi iniciado por meio de rodovias, o mínimo que podemos esperar é que nos dêem alternativas, condições para que a frota de fato possa ser ampliada com mais qualidade e segurança para o meio ambiente e o consumidor.

Por outro lado, é fácil perceber que o caso dos meios de transporte é o mesmo dos demais setores da área pública: educação, saúde, segurança etc. Como os governos não conseguem resolver o problema, precisam apoiar a iniciativa privada e, assim, cada um que se vire do jeito que dá. Aliás, com o recorde de produção de veículos veio também o boom dos recalls. O caso mais recente foi o do FOX, que ficou popularmente conhecido como corta-dedo. Segundo matéria publicada no Estado de São Paulo, de 30 de junho, “os sucessivos recordes de vendas de carros obrigaram as montadoras a acelerar a produção num ritmo muito acima do previsto. Para dar conta da demanda, várias fábricas operam 24 horas durante os sete dias da semana, convocam horas extras e criam novos turnos.[...] Só neste ano, 818,2 mil veículos foram convocados para consertos. Em todo o ano passado foram 256,3 mil. [...] Desde meados dos anos 90, quando a indústria automobilística introduziu no País os recalls, 6,2 milhões de carros passaram por convocações, o equivalente a 25% de tudo o que foi vendido no período”.

Por isso, é preciso fiscalizar as empresas, criar regras para garantir mais qualidade e condições de rodar, seja de carro próprio ou de transporte público. Porém, uma coisa é fato: não é servindo de garoto propaganda que os nossos políticos vão conquistar vitórias para o cidadão comum, que está em campo todos os dias e também precisa garantir seus gols.

Crédito imagem: http://substantivolatil.com/page/3

sábado, 28 de junho de 2008

Gentileza tecnológica

Para quem vive neste mundo material, dos objetos, nas palavras de Jean Baudrillard, os seres humanos até que têm muito o que aprender com suas crias.

É claro que não podemos generalizar, felizmente há pessoas conscientes e gentis nesse mundão. Mas a gentileza nos aparatos tecnológicos tem crescido e está presente em diversos segmentos. É o carro que avisa quando você desliga o motor e deixa o farol ligado ou quando está em trânsito com a porta aberta. A TV que desliga automaticamente, o forno com timer pra você não torrar aquele prato delicioso que está preparando, o Word que pergunta se você deseja salvar o documento, o Orkut que dá as boas vindas quando você acessa a comunidade, entre outras coisas.

É claro que a tecnologia tem lá seus problemas e, muitas vezes, te deixa na mão. Mas, nos tempos modernos, certas delicadezas ficaram esquecidas. Ceder o lugar no transporte público para uma pessoa com criança de colo, avisar o motorista do lado que sua porta está aberta, falar para o porteiro do prédio que o vizinho esqueceu a lanterna do carro ligada, enfim, atitudes simples que demonstram gentileza e preocupação com o semelhante são cada vez mais raras.

Muito se fala da necessidade de uma vida mais simples. Mas que simplicidade seria essa? A de consumir menos objetos e experimentar prazeres? Não acredito ser o consumo o maior vilão dessa sociedade estressada e insensível. Talvez essa "transferência de gentileza", do homem para os objetos, seja uma forma de esquivar-se de suas responsabilidades de cidadão. Acredito que essa vida simples, tão desejada, deva começar nas atitudes para com o semelhante e que seja baseada na fraternidade, no respeito, na educação e na gentileza. Afinal, são as coisas simples que podem transformar nossas vidas, para melhor ou não.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O milagroso da mulheres

As mulheres vão adorar. A minha também, né, amor? Chega de cabelos arruinados por chuva ou vento. Mas só pra quem estiver em Londres, pelo menos por enquanto! A novidade é uma máquina de chapinha! Isso mesmo, aquela que as mulheres ficam horas passando no cabelo pra fazer aquele penteado maravilhoso. O lance é que essa máquina pode ser encontrada em academias, restaurantes, bares e clubes. Basta 1 libra pra deixar a cabeleira bagunçada um arraso de novo. No site http://www.beautifulvending.com/

PDV ou PDE?

Já imaginou uma loja que não vende nada?! Pois é, essa é a cara da Sample Lab, de Toquio, no Japão. E qual é o seu objetivo, então? A Sample Lab é um espaço de distribuição de brindes. Não é um ponto-de-venda, mas um ponto-de-experimentação, vamos dizer. A idéia é sacada e faz os adolescentes se aglomerarem na porta, em grandes filas. Mas, como nada é de graça, pra ter acesso aos mimos é preciso fazer um cadastro no site. Paga-se 11 dólares de inscrição e mais um fee anual que dão direito a pegar 5 brindes a cada visita - amostras de produtos cosméticos, de comidinhas e acessórios.
A idéia pode pegar aqui no Brasil, que caminha com alguns ambientes já preparados para a experimentação. É o caso da Samsung Experience, no Shopping Morumbi, onde as pessoas têm a possibilidade de vivenciar momentos de alta tecnologia com produtos da marca. A Casa Gourmet Arno, em São Paulo, Minas e no Rio, também coloca as pessoas em contato com produtos Arno e T-Fal por meio de cursos gratuitos de culinária, beleza e etiqueta. Segundo informações do site, os cursos têm participação de mais de 6 mil pessoas por mês. Isso é que é relacionamento com a marca!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

A pequena poderosa



Fazia tempo que não conhecia uma publicação de qualidade tão boa. A ResultsON é prova de que tamanho não é documento. Apesar de pequena em seu formato, a revista é gigante em conteúdo. Em um tom mais descolado, que foge das publicações das editoras tradicionais, a ResultsON alia conteúdo inteligente com design moderno e clean. Vale a pena conhecer. A distribuição é gratuita. A revista pode ser encontradas em cafés, restaurantes e revistarias. No site, você confere os locais. Aliás, pra quem quer conhecer agora é só acessar http://www.resultson.com.br. Mas o gostoso mesmo é folhear sua páginas. Experimente!

Eletrônico de corpinho enxuto

Dá uma olhada neste vídeo e veja o que a Sony está preparando. A tela tem a espessura de um cartão de crédito. A cultura do corpinho enxuto invadiu o mercado tecnológico. A Apple que se cuide com o Mac Air! Logo, logo, ele vai precisar de uma dieta.
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sexta-feira, 20 de junho de 2008

Eis que surge a Caixa

Todo ato de consumo passa por uma caixa registradora, o momento de pagar pela sua mais nova aquisição. Daí a idéia do nome deste blog, espaço que se propõe a debater assuntos ligados a comunicação e consumo.

Tudo que passar por aqui vai ficar registrado. Fatos, fotos, devaneios, opiniões, curiosidades, livros e reportagens sobre esse universo maluco e maravilhoso, cheio de oportunidades e possibilidades que vamos abrindo e construindo.

Vivemos na era da sociedade de informação e tudo, ou quase tudo do que necessitamos ou queremos, direta ou indiretamente, é preciso pagar para se ter acesso. E, neste cotidiano, com dias cada vez mais curtos, a ansiedade, o estresse, a perda de valores e a busca da felicidade individual impulsionam o indivíduo a buscar os prazeres do consumo, prazer que logo se transforma em frustração e que pode ser superado, tão logo se consuma novamente.

Esse ciclo insaciável e fundamental para manter o sistema capitalista vigente hoje na maior parte do mundo, talvez possa ser mais sustentável, consciente e ético. Talvez a era do standing esteja dando lugar ao desfrute do prazer e da experimentação, a uma vida mais simples ou não. Esses e outros assuntos serão debatidos aqui. E você está convidado a dar sua opinião também!